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Variabilidade da
FC na Ventriculectomia Parcial Redutora
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Dr.
Ricardo Salvadori
Coordenador médico do Unicor |
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A seção "Estudos de Caso" tem como objetivo apresentar exemplos reais
de exames de diagnósticos e suas respectivas interpretações. Nesta 1ª edição, vamos
abordar uma análise realizada pelo Dr. Ricardo Salvadori, onde através de um exame de
Holter, foi avaliado o comportamento das atividades simpática e parassimpática antes e
depois da cirurgia.
A variabilidade da freqüência cardíaca é
considerada um parâmetro importante para a estratificação de risco de morte súbita
após o infarto do miocárdio. Também em pacientes miocardiopatas com severa disfunção
ventricular é bastante conhecida a relação entre o aumento dos níveis de renina e
catecolaminas circulantes com a taxa da mortalidade. A identificação desses pacientes
pode ser realizada através da análise da variabilidade da freqüência cardíaca, que
permite avaliar o balanço simpático-vagal. Isto é obtido, como veremos, ou no domínio
do tempo ou da freqüência onde a análise das bandas simpáticas e vagal e do índice
LF/HF, nos permite identificar os indivíduos de maior risco assim como avaliar os
benefícios obtidos com um determinado procedimento.
O paciente H.G.M., 51 anos, com diagnóstico
comprovado de Miocardiopatia Dilatada e Insuficiência Cardíaca Congestiva refratária ao
tratamento clínico convencional, foi submetido a Estudo Hemodinâmico que mostrou severo
comprometimento difuso na contratilidade do Ventrículo Esquerdo (fig.1) com Fração de
Ejeção calculada de 10%, sem lesões coronarianas obstrutivas.
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Fig. 1: Ventriculografia Esquerda (OAD)
Pré-Operatório (Diástole/Sístole)
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Em relação a
Variabilidade da Freqüência Cardíaca (VFC), foi constatado:
- Domínio do Tempo: SDNN=55ms - pNN>50=0,82%
- Domínio da Freqüência (Fig.3): observamos aumento
significativo da banda simpática (vide gráfico) com índice LF/HF bem elevado
comprovando predomínio simpático (4,43 durante o sono e 3,22 no período da tarde).
O paciente foi então submetido, no Hospital
Unicor, a uma cirurgia de Ventriculectomia Parcial Redutora, com boa evolução no
Pós-Operatório.
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Fig. 3: Pré-Operatório
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Novos exames em 30 dias
Trinta dias após a cirurgia foram realizados novos
exames. O Estudo Hemodinâmico demonstrou melhora da Fração de Ejeção de VE passando
para 34% (fig.2).
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Fig. 2: Ventriculografia Direita (OAD)
Pós-Operatório (Diástole/Sístole)
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Em relação a VFC observamos:
- No Domínio do Tempo houve elevação do SDNN para
70ms e pNN>50 para 4,71.
- No Domínio da Freqüência observamos, agora,
predomínio da banda vagal nos mesmos períodos anteriormente analisados com índice
LF/HF=0,11 (ou seja, menor que 1,0, o que confirma o predomínio do vago). (Fig. 4).
Portanto, a melhora dos parâmetros obtidos
através da avaliação da Variabilidade da Freqüência Cardíaca, se correlacionaram com
a melhora hemodinâmica e clínica após o procedimento cirúrgico realizado.
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Fig. 4: Pós-Operatório
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