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Morte Súbita Cardíaca Durante a Gravação de Holter

Dr. Ricardo Salvadori
Coordenador médico do Unicor

A alta incidência da morte súbita cardíaca tem despertado grande interesse no conhecimento de sua fisiopatologia e de como preveni-la. Cerca de 90% dessas mortes são causadas por arritmia e pouco mais de 80% são portadores de insuficiência coronariana. Bayés de Luna publicou uma das maiores séries de pacientes que apresentaram morte súbita a nível ambulatorial em uso de Holter, concluindo que 83,4 % foram causadas por taquiarritmia ventricular (8,3% Fibrilação Ventricular Primária, 62,4% Taquicardia Ventricular evoluindo para FV e 12,7% Torsades de Pointes desencadeando a FV) e 16,6% por bradiarritmias (onde a depressão do nó sinusal foi bem mais freqüente que bloqueio AV total).

Caso Clínico: Paciente J.R.D. 63 anos, sexo feminino submetida à cirurgia de revascularização miocárdica, recebe alta hospitalar em uso de Quinidina por ter apresentado fibrilação atrial no pós operatório imediato. No 12º dia realizou Holter para avaliação da arritmia. A análise dos traçados mostra um aumento significativo do intervalo QTc e inúmeros episódios de Torsades de Pointes com reversão espontânea, o último deles degenerando para fibrilação ventricular e assistolia.

quadro1.gif (23191 bytes)A síndrome do QT longo pode ser congênita, simpático dependente (Jervell Lange-Nielsen e Romano-Ward) ou adquirida, na grande maioria das vezes secundárias à drogas antiarrítmicas da classe IA (quinidina, procainamida e disopiramida) e da classe III (amiodarona e sotalol), principalmente quando associadas a hipopotassemia e hipomagnesemia. Outras drogas como antidepressivos tricíclicos, neurolépticos, antihistamínicos (astemizol, terfenadina), antibióticos e quimioterápicos (eritromicina, amoxacilina, sulfas), probucol, adenosina, cocaína, também podem prolongar o intervalo QT. Em relação ao tratamento, na forma congênita deve se utilizar drogas betabloqueadoras e como alternativa a ressecção do gânglio estrelado esquerdo ou o desfibrilador automático implantável. Na forma adquirida, suspensão imediata da droga culpada, reposição de potássio e magnésio, aumento da freqüência cardíaca com marca-passo externo ou isuprel (quando em vigência de bradicardia) e se necessário droga antiarrítmica, utilizar as da classe IB (lidocaína ou mexiletine) que não prolongam o intervalo QT. Quanto ao Torsades de Pointes, geralmente revertem espontaneamente mas, quando isso não ocorre, devemos realizar a cardioversão elétrica.