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A alta incidência da
morte súbita cardíaca tem despertado grande interesse no conhecimento de sua
fisiopatologia e de como preveni-la. Cerca de 90% dessas mortes são causadas por arritmia
e pouco mais de 80% são portadores de insuficiência coronariana. Bayés de Luna publicou
uma das maiores séries de pacientes que apresentaram morte súbita a nível ambulatorial
em uso de Holter, concluindo que 83,4 % foram causadas por taquiarritmia ventricular (8,3%
Fibrilação Ventricular Primária, 62,4% Taquicardia Ventricular evoluindo para FV e
12,7% Torsades de Pointes desencadeando a FV) e 16,6% por bradiarritmias (onde a
depressão do nó sinusal foi bem mais freqüente que bloqueio AV total).
Caso Clínico: Paciente J.R.D. 63 anos, sexo feminino
submetida à cirurgia de revascularização miocárdica, recebe alta hospitalar em uso de
Quinidina por ter apresentado fibrilação atrial no pós operatório imediato. No 12º
dia realizou Holter para avaliação da arritmia. A análise dos traçados mostra um
aumento significativo do intervalo QTc e inúmeros episódios de Torsades de Pointes com
reversão espontânea, o último deles degenerando para fibrilação ventricular e
assistolia.
A síndrome do QT longo pode ser
congênita, simpático dependente (Jervell Lange-Nielsen e Romano-Ward) ou adquirida, na
grande maioria das vezes secundárias à drogas antiarrítmicas da classe IA (quinidina,
procainamida e disopiramida) e da classe III (amiodarona e sotalol), principalmente quando
associadas a hipopotassemia e hipomagnesemia. Outras drogas como antidepressivos
tricíclicos, neurolépticos, antihistamínicos (astemizol, terfenadina), antibióticos e
quimioterápicos (eritromicina, amoxacilina, sulfas), probucol, adenosina, cocaína,
também podem prolongar o intervalo QT. Em relação ao tratamento, na forma congênita
deve se utilizar drogas betabloqueadoras e como alternativa a ressecção do gânglio
estrelado esquerdo ou o desfibrilador automático implantável. Na forma adquirida,
suspensão imediata da droga culpada, reposição de potássio e magnésio, aumento da
freqüência cardíaca com marca-passo externo ou isuprel (quando em vigência de
bradicardia) e se necessário droga antiarrítmica, utilizar as da classe IB (lidocaína
ou mexiletine) que não prolongam o intervalo QT. Quanto ao Torsades de Pointes,
geralmente revertem espontaneamente mas, quando isso não ocorre, devemos realizar a
cardioversão elétrica.
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