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O coração humano saudável não funciona como
um relógio, varia a sua freqüência batimento a batimento, como conseqüência dos
ajustes imediatos promovidos pelo SNA para manter equilíbrio do sistema cardiovascular.
Isto chamou a atenção de diversos pesquisadores para tentar conhecer o estado de ação
autonômica em que se encontra o coração, estudando as variações da freqüência
cardíaca (VFC).
O controle autonômico da freqüência cardíaca
(FC) é exercido sobre o nó sinusal batimento a batimento, determinando flutuações que
apresentam dois componentes distintos:
1. O estímulo, que se inicia rapidamente
ocasionando uma modulação da FC. Esta gera oscilações de ciclos curtos facilmente
identificados como arritmia sinusal respiratória.
2. O estímulo simpático, que modula a atividade
vasomotora e a FC, gera oscilações de ciclo longo que são mediadas pelo reflexo
barroceptor.
A integração entre a modulação rápida (vago) e
lenta (simpático) determina a VFC.
Métodos de análise:
Pode-se analisar a VCF tanto em curtos períodos de tempo 2, 5, 15 minutos ou longos
períodos como 24h, sendo o último o mais utilizado na prática clínica. Devem ser
excluídos desse tipo de estudo, pacientes com fibrilação atrial, disfunção do nó
sinusal, distúrbios da condução átrio-ventricular e portadores de marcapasso
artificial. Pacientes com batimentos ectópicos devem ser avaliados nos períodos de menor
intensidade dessa arritmia. Após medir-se cada intervalo RR de batimentos sinusais
sucessivos, em um determinado intervalo de tempo, excluindo-se as ectopias e os artefatos,
obtem-se a média e seu respectivo desvio padrão, que através de técnicas matemáticas
desdobram-se em alguns índices estatísticos. Esses índices constituem a análise da VFC
no domínio do tempo e estão reunidos no quadro abaixo.

Outra forma de se avaliar a VFC é análise do
domínio da freqüência, que avalia e quantifica periodicidades que podem ser encontradas
na seqüência dos intervalos R-R.
Outra forma de se avaliar a VFC é a
análise no domínio da freqüência. A análise espectral permite identificação e
separação de grupos de ondas, construindo um gráfico onde freqüências de ondas
semelhantes são agrupadas, como mostra a figura 1. No eixo horizontal estão
representadas as diferentes bandas de freqüência, expressas em Hertz (Hz), e no vertical
a amplitude da curva, como densidade da potência espectral, em ms2/Hz. Diversos estudos mostraram a
associação de bandas de freqüência com informações fisiológicas específicas, sendo
três as principais:
A relação baixa/alta é considerada por alguns como
um índice do equilíbrio simpatovagal.
Não existe número suficiente de estudos
utilizando-se de grandes populações capazes de nos oferecer um padrão de valores
normais. Entretanto os limites abaixo podem ser tomados como referência para valores
obtidos em gravações de 24h, porém, deve-se considerar que idade, sexo e ambiente
exercem influência sobre eles.
A participação vagal influencia a maioria dos
índices da VFC e pode ser bem avaliada de forma quase exclusiva
através do componente de alta freqüência da análise espectral, pelo rNN50 e pela
RMSSD, enquanto a participação simpática influência o componente de baixa
freqüência, sendo bem menos evidente no domínio do tempo. Existem ainda controvérsias
em relação à capacidade de ser estudada adequadamente pela VFC.
A aplicabilidade clínica, neste momento, concentra-se na
estratificação de risco pós-infarto do miocárdio e na detecção de neuropatia
diabética. O fator preditivo da VFC é independente de outros parâmetros estabelecidos
para estratificação de risco pós- infarto, como fração de ejeção do VE, atividade
ectópica e potenciais tardios. O uso da VFC em outras situações clínicas fornece
informações valiosas, mas o seu uso imediato na clínica ainda é controverso.
Entretanto, como ferramenta de pesquisa, a avaliação da VFC tem permitido o melhor
entendimento da participação do sistema nervoso autônomo em diferentes situações
fisiológicas e patológicas.
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