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Variabilidade da Frequência Cardíaca
(parte II)

Dr. César José Grupi
Médico responsável pelos serviços de Holter do InCor 
e da Unidade Ecográfica Paulista

O coração humano saudável não funciona como um relógio, varia a sua freqüência batimento a batimento, como conseqüência dos ajustes imediatos promovidos pelo SNA para manter equilíbrio do sistema cardiovascular. Isto chamou a atenção de diversos pesquisadores para tentar conhecer o estado de ação autonômica em que se encontra o coração, estudando as variações da freqüência cardíaca (VFC).

O controle autonômico da freqüência cardíaca (FC) é exercido sobre o nó sinusal batimento a batimento, determinando flutuações que apresentam dois componentes distintos:

1. O estímulo, que se inicia rapidamente ocasionando uma modulação da FC. Esta gera oscilações de ciclos curtos facilmente identificados como arritmia sinusal respiratória.

2. O estímulo simpático, que modula a atividade vasomotora e a FC, gera oscilações de ciclo longo que são mediadas pelo reflexo barroceptor.

A integração entre a modulação rápida (vago) e lenta (simpático) determina a VFC.

Métodos de análise: Pode-se analisar a VCF tanto em curtos períodos de tempo 2, 5, 15 minutos ou longos períodos como 24h, sendo o último o mais utilizado na prática clínica. Devem ser excluídos desse tipo de estudo, pacientes com fibrilação atrial, disfunção do nó sinusal, distúrbios da condução átrio-ventricular e portadores de marcapasso artificial. Pacientes com batimentos ectópicos devem ser avaliados nos períodos de menor intensidade dessa arritmia. Após medir-se cada intervalo RR de batimentos sinusais sucessivos, em um determinado intervalo de tempo, excluindo-se as ectopias e os artefatos, obtem-se a média e seu respectivo desvio padrão, que através de técnicas matemáticas desdobram-se em alguns índices estatísticos. Esses índices constituem a análise da VFC no domínio do tempo e estão reunidos no quadro abaixo.

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Outra forma de se avaliar a VFC é análise do domínio da freqüência, que avalia e quantifica periodicidades que podem ser encontradas na seqüência dos intervalos R-R.

Outra forma de se avaliar a VFC é a análise no domínio da freqüência. A análise espectral permite identificação e separação de grupos de ondas, construindo um gráfico onde freqüências de ondas semelhantes são agrupadas, como mostra a figura 1. No eixo horizontal estão representadas as diferentes bandas de freqüência, expressas em Hertz (Hz), e no vertical a amplitude da curva, como densidade da potência espectral, em ms2/Hz. Diversos estudos mostraram a associação de bandas de freqüência com informações fisiológicas específicas, sendo três as principais:

A relação baixa/alta é considerada por alguns como um índice do equilíbrio simpatovagal.

Não existe número suficiente de estudos utilizando-se de grandes populações capazes de nos oferecer um padrão de valores normais. Entretanto os limites abaixo podem ser tomados como referência para valores obtidos em gravações de 24h, porém, deve-se considerar que idade, sexo e ambiente exercem influência sobre eles.

A participação vagal influencia a maioria dos índices da VFC e pode ser bem avaliada de forma quase exclusiva através do componente de alta freqüência da análise espectral, pelo rNN50 e pela RMSSD, enquanto a participação simpática influência o componente de baixa freqüência, sendo bem menos evidente no domínio do tempo. Existem ainda controvérsias em relação à capacidade de ser estudada adequadamente pela VFC.

A aplicabilidade clínica, neste momento, concentra-se na estratificação de risco pós-infarto do miocárdio e na detecção de neuropatia diabética. O fator preditivo da VFC é independente de outros parâmetros estabelecidos para estratificação de risco pós- infarto, como fração de ejeção do VE, atividade ectópica e potenciais tardios. O uso da VFC em outras situações clínicas fornece informações valiosas, mas o seu uso imediato na clínica ainda é controverso. Entretanto, como ferramenta de pesquisa, a avaliação da VFC tem permitido o melhor entendimento da participação do sistema nervoso autônomo em diferentes situações fisiológicas e patológicas.