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Eletrocardiografia de Alta Resolução

Dr. José Marco Nogueira Lima
Médico do setor de métodos diagnósticos não invasivos
Dr. Silas Galvão Filho
Médico diretor responsável
Dr. José Tarcísio Medeiros de Vasconcelos
Médico responsável pelo setor de métodos diagnósticos invasivos; 
(Todos da Clínica de Ritmologia Cardíaca Dr. Silas Galvão Filho).

O ECGAR como método auxiliar para a pesquisa de potenciais tardios auxiliando na condução clínica dos pacientes portadores de arritmias cardíacas ventriculares complexas

L.G.B.; 73 anos; masculino; IAM recente – há mais de 70 dias – CATE na ocasião revelando lesões em duas artérias. Submetido a ATC + implante de “Stent” com sucesso em ambas as lesões. Realizado ecodopplercardiograma recente detectou-se uma função ventricular dentro dos limites da normalidade ( F.E. de aproximadamente 0.64). Solicitada uma gravação eletrocardiográfica dinâmica de 24 horas – holter de 24 horas – que revelou uma arritmia ventricular isolada e acoplada de manifestação rara (<2% dos registros) e 3 episódios de TV não sustentadas, sendo todas com 3 complexos - a mais rápida 128 bpm e a mais lenta com 114 bpm - e curva de freqüência cardíaca normal para idade associada a uma variabilidade de RR sem valores conclusivos para interpretação. Submetido a ECGAR apresentou os seguintes valores compatíveis com a presença de potenciais tardios: RMS L40 = 10 µV ; LAS = 52 ms e duração do QRS filtrado e promediado de 110 ms.


Vetor do QRS com 2 parâmetros positivos. LAS = 52 ms e RMS = 10 µV

Comentários
A presença de arritmia ventricular de manifestação freqüente e sob a forma de TVNS constitui um marcador importante de “morte súbita” em sobreviventes de IAM. O emprego do ECGAR nestes casos, em especial se o IAM atingiu parede livre de VE, tem grande aplicabilidade como método complementar na estratificação de risco. A ausência de potenciais tardios está relacionada com um prognóstico bastante favorável. Por outro lado, a sua presença, como no caso, não constitui indicativo de gravidade, dado o baixo valor preditivo positivo no método. A complementação na investigação por estimulação ventricular programada deve ser considerada.

Discussão
A análise pelo ECGAR para o diagnóstico da presença de potenciais tardios e a sua correlação preditiva para eventos arrítmicos e morte súbita é sabidamente baixa (10 a 30%), porém exibe um alto valor preditivo negativo - evolução em um ano livre de eventos arrítmicos ditos “malignos” em até 95% dos casos1,2,3,4,5,6,7 & 8. O ECGAR apresenta-se como um método auxiliar seguro, não invasivo e sobretudo prático para a pesquisa de potenciais tardios auxiliando na condução clínica dos pacientes portadores de arritmias cardíacas ventriculares complexas. Mais dois casos de pacientes submetidos a exames de ECGAR, junto com as referências bibliográficas poderão ser encontradas na seção “Clínica” no site da CARDIOS a partir de 1o de junho – www.cardios.com.br

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