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Conseqüente
a presença de desarranjo estrutural das fibras miocárdicas,
em especial em zonas cicatriciais pós infarto do miocárdio,
poderão ocorrer retardos na propagação elétrica durante o processo
de ativação ventricular. Segmentos da massa miocárdica se ativam
lentamente, durante e após o término do processo global de despolarização,
gerando potenciais tardios de baixa amplitude e alta freqüência
coincidindo ou sucedendo o final do complexo QRS. Esses potenciais
são considerados arritmogênicos, facilitando a ocorrência de
fenômenos de reentrada e poderão ser captados usando-se uma
técnica especial de promediação, filtragem e alto ganho do sinal
eletrocardiográfico denominada de Eletrocardiografia de Alta
Resolução (ECGAR). Por esta técnica a resultante da captação
do sinal eletrocardiográfico poderá ser definida usando-se o
tempo como variável (domínio de tempo) ou a resposta de freqüência
do sinal (domínio de freqüência), sendo os resultados da primeira
melhor estabelecidos. Na figura 1 mostramos um exemplo em que
se pode observar nitidamente a presença de sinais de baixa amplitude,
inferiores a 40 uV, no final do complexo QRS filtrado, indicando
a positividade do teste.
Critérios de normalidade do teste
Em domínio de tempo são analisadas três variáveis para definição
da normalidade do exame:
1.
Raiz quadrada da voltagem média dos 40 ms finais do complexo
QRS filtrado. Em inglês Root Mean Square (RMS) deverá ser superior
a 20 uV.
2.
Duração total dos sinais elétricos de baixa amplitude (inferiores
a 40 uV) no final do complexo QRS filtrado. Em inglês Low Amplitude
Signal (LAS). Não deverá ultrapassar 38 ms.
3.
Duração total do complexo QRS filtrado, (QRSD). Não deve ultrapassar
os 114 ms.
Frente
a duas ou mais variáveis alteradas, considera-se o exame como
positivo, ou seja, indicativo da presença de potenciais tardios
anormais no final do QRS filtrado. No exemplo da figura 1 observa-se
que os três parâmetros encontram-se alterados: RMS = 2,64 uV;
LAS = 77,0 ms e QRSD = 150,5 ms.
Principais
aplicações clínicas da eletrocardiografia de alta resolução.Este
exame tem se mostrado útil nas seguintes situações clínicas:
1.
Estratificação de risco do paciente pós infarto do miocárdio
e arritmias ventriculares: pacientes que apresentam freqüentes
arritmias ventriculares e ECGAR positivo, apresentam maior risco
de desenvolver eventos cardíacos maiores, inclusive a morte
súbita, em relação aos com teste negativo. Estratégias mais
cuidadosas deverão ser aplicadas a este tipo de população.
2.
Previsão dos resultados cirúrgicos da aneurismectomia em pacientes
com TV sustentada: pacientes que se beneficiaram com este tipo
de procedimento cirúrgico tendem a apresentar uma significativa
redução dos potenciais tardios anormais no pós operatório, o
que poderá ser constatado em exames seriados do ECGAR.
3.
Estratificação de risco no paciente com arritmia ventricular
e não coronariopata: embora o método tenha sido amplamente difundido
no estudo da doença coronária e no pós infarto do miocárdio,
existem hoje trabalhos definitivos mostrando a sua utilidade
em outras condições clínicas. A mais significativa delas é a
displasia arritmogênica do ventrículo direito. Nesta doença
que evolui com um padrão de arritmia ventricular com morfologia
tipo BRE o teste é positivo em cerca de 80% dos casos, permitindo
o diagnóstico diferencial com outras condições que evoluem com
o mesmo padrão arritmogênico, em especial a forma idiopática
de arritmia do trato de saída do ventrículo direito.
4.
No diagnóstico diferencial dos quadros sincopais: episódios
sincopais poderão ser desencadeados por surtos de taquicardia
ventricular, em especial naqueles pacientes com história de
infarto do miocárdio. Frente a um ECGAR positivo e na situação
clínica indicada, devemos afastar a possibilidade do quadro
sincopal ter origem arritmogênica.
Outras
indicações
A
ECGAR foi estendida para a onda P. Ondas P filtradas com duração
total superior a 135 ms têm sido observadas em pacientes que
desenvolvem fibrilação atrial paroxística. Assim o método parece
estratificar pacientes propensos a desenvolver este tipo de
taquiarritmia atrial.
Limitações
do método
Ocorrem
restrições a interpretação correta do teste nos distúrbios da
condução intraventricular, em especial o bloqueio de ramo direito.
Como todos os métodos aplicados para estratificação de risco
dos eventos cardíacos maiores, o ECGAR apresenta um baixo valor
preditivo positivo e um elevado valor preditivo negativo.
Conclusões
Com
a sedimentação dos resultados observados na aplicação clínica
da ECGAR, pode-se concluir que o método se encontra bem estabelecido,
sendo de valor indiscutível no diagnóstico e na estratificação
de diversas condições clínicas potencialmente arritmogênicas.
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