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Dispresão de QT - Onde estamos hoje?

Novos estudos e técnicas apresentados no Simpósio da ISHNE apontam para maior objetividade e precisão na avaliação da repolarização ventricular através de métodos não invasivos.

Durante o recente Congresso da ACC em New Orleans, foi realizado, mais um Simpósio da ISHNE, desta vez sobre o tema acima.

Dentre os palestrantes, o Dr. Michel Franz, de Washington, ressaltou a importância da dispersão da repolarização na gênesis de arritmias cardíacas, pela heterogeneidade da refratariedade miocárdica. Um estímulo prematuro cria respostas divergentes em termos de velocidade de condução. A dispersão do QT, por outro lado, medida como a diferença entre o maior e o menor intervalo QT, não seria suficiente para explicar esta diferença de refratariedade.

O Dr. Paul Kligfield, de New York, discutiu a valorização da dispersão do QT como uma medida da heterogeneidade da repolarização ventricular, ou simplesmente uma variação da projeção do vector da onda T no ECG de superfície. Foram feitos estudos comparando nos mesmos pacientes a dispersão do QT existente em ECG’s convencionais e ECG’s derivados por algoritmo de computador de registros ortogonais do vector cardíaco. Por definição estes últimos não podem apresentar heterogeneidade da repolarização nas derivações precordiais. Foi verificado que a magnitude da dispersão do QT nas derivações precordiais foi similar nos dois casos. Isto sugere que a variabilidade da projeção da alça de T nas derivações precordiais pode produzir dispersão do QT em ausência de heterogeneidade da repolarização. Estes achados não diminuem a importância do papel arritmogênico da heterogeneidade, mas mostram que a dispersão do QT não a representa adequadamente.

Novas técnicas para avaliar a heterogeneidade
O Dr. Wojciech Zareba da Universidade de Rochester frisou também a pouca reprodutibilidade dos métodos de medição da dispersão do QT, e citou novas técnicas atualmente em desenvolvimento para avaliar a heterogeneidade da repolarização ventricular, sem necessidade de definir com precisão o final da onda T. A superposição das ondas T das seis derivações precordiais mostra que a repolarização pode ser homogênea ou heterogênea, independentemente de pequenas variações do QT. Desde que a forma da onda T no ECG de superfície é reflexo da morfologia da alça da onda T, a sua avaliação parece ser uma forma viável de determinar anormalidades na seqüência da repolarização. Por outro lado, a onda T pode ser decomposta em séries de componentes de tempo-freqüência. A quantificação e comparação destas séries em derivações precordiais sucessivas seria útil para determinar a dispersão da repolarização ventricular. Como concluiu o Dr. Zareba, todos estos métodos ainda requerem uma validação apropriada para definir a sua utilidade para fins práticos.

Uma verdadeira revolução
Novas possibilidades estão surgindo para um estudo cada vez mais objetivo e preciso da repolarização ventricular através de métodos não invasivos. Este é um campo fascinante da cardiologia pelas suas implicações para o diagnóstico, prognóstico e tratamento das arritmias ventriculares. Com certeza nos últimos tempos estamos assistindo a uma verdadeira revolução nesta área, que virá influenciar nossas decisões num futuro muito próximo.

Dr. Ricardo J. Miglino

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