|
Notícias > Jornal | Eventos
|
 |
|
 |
|
Estratificação
de risco de
morte súbita por
meio de métodos
não invasivos: um
é pouco, dois é melhor,
três será o ideal?
|
|
Dr.
Anis Rassi Junior
Chefe do Serviço de Métodos Gráficos do
Hospital São Salvador – Goiânia (GO). |
|
|
Devemos
concentrar nossos esforços na identificação da melhor combinação
entre VPP e sensibilidade para as diferentes situações de risco
de morte súbita.
A
morte súbita constitui grave problema de saúde pública. Nos EUA
mais de 300.000 casos de morte súbita ocorrem a cada ano, o que
representa metade das mortes de origem cardíaca. Nos últimos anos,
enormes esforços têm sido dispensados por parte dos investigadores,
com o objetivo de se tentar identificar, prospectivamente, os pacientes
com alto risco de morte súbita. Entretanto, devido à baixa prevalência
deste evento fatal em populações não-selecionadas, a sua predição
apresenta certos limites quando se utiliza qualquer método de estratificação
de risco, de maneira isolada. Vale ressaltar que a probabilidade
do indivíduo com teste positivo apresentar o evento em questão (valor
preditivo positivo - VPP) correlaciona-se com a prevalência do evento
na população estudada, de tal forma que quanto menor a prevalência
do evento, menor a chance de identificá-lo corretamente.
Combinação
de testes e precisão nos diagnósticos
Mais
recentemente, tem sido verificado que a predição de morte súbita
pode ser melhorada por meio da combinação de testes. Assim, além
dos métodos tradicionais de estratificação de risco, como o ecocardiograma
(estudo da função ventricular esquerda) e o Holter de 24 horas (detecção
de arritmias ventriculares), outros métodos de investigação, que
avaliam o tônus autonômico cardíaco (variabilidade da frequência
cardíaca e estudo do baroreflexo), o substrato arritmogênico (ECG
de alta resolução) e a repolarização ventricular (dispersão do QT
e alternância da onda T) também passaram a ser utilizados. O problema
é que à medida que mais variáveis vão sendo acrescidas, apesar de
aumentarmos o número de resultados verdadeiros-positivos (pacientes
com teste positivo e com evento), cai a sensibilidade dos testes
usados em combinação, ou seja, resultados negativos não necessariamente
descartam a ocorrência do evento em questão. Tal fato pode ser observado
por meio do seguinte exemplo hipotético (Figura 1): vamos supor
que a incidência anual de morte súbita em determinada condiçãoX
seja de 10% e que determinado parâmetro ou marcador de risco avaliado
nesta condição esteja presente em 40% destes pacientes. Se todos
os pacientes com este marcador de risco (400, no referido exemplo)
fossem a óbito após um ano de seguimento e nenhum paciente sem o
marcador de risco apresentasse morte súbita, teríamos valores preditivos
positivo e negativo, sensibilidade e especificidade de 100%. Entretanto,
tal situação não ocorre na prática. Como apenas 100 pacientes apresentarão
morte súbita e, dentre eles, 80 apresentam a variável de risco,
tem-se uma sensibilidade aceitável de 80% (80/100), mas um valor
preditivo positivo baixo, de apenas 20% (80/400). A adição de outro
teste aplicado aos 400 pacientes com a primeira variável positiva
mostra um segundo indicador de risco presente em metade dos pacientes.
Como aqui mais uma vez apenas 60 dos 80 pacientes com evento e uma
variável positiva também apresentam a segunda variável positiva,
apesar do VPP aumentar para 30% (60/200), ocorre uma queda da sensibilidade
para 60% (60/100). Seguindo-se o mesmo raciocínio, com três variáveis
teremos um VPP de 50% e uma sensibilidade de 50%.
Busca
da melhor combinação entre VPP e sensibilidade
|
|
Portanto,
por meio da combinação de variáveis é possível identificarmos
indivíduos com maior probabilidade de morte súbita, mas estes
representam uma parcela cada vez menor do total de mortes
súbitas. Desta forma, fica claro que existem certos limites
em relação à prevenção da morte súbita. Como o risco de morte
súbita em populações não-selecionadas não é grande, qualquer
intervenção destinada à prevenção em larga escala deverá ser
aplicada a um enorme contingente de indivíduos que nunca apresentará
qualquer evento, na tentativa de beneficiar uma minoria que
o apresentará. Por outro lado, a adoção de medidas terapêuticas
apenas nos subgrupos de elevado risco (pacientes com 2 ou
mais marcadores de risco), apesar de salvar vidas dentre os
indivíduos tratados (assumindo-se que exista terapêutica eficaz),
causa um pequeno impacto na redução do número total de mortes
súbitas. Por isso devemos concentrar nossos esforços na identificação
da melhor combinação entre VPP e sensibilidade para as diferentes
situações de risco de morte súbita. E o MultiCardiógrafo,
recentemente produzido pela Cardios, ao permitir a realização
de 3 métodos de estratificação de risco (Holter, variabilidade
da FC e ECG de alta resolução) num único equipamento, sem
dúvida, deve contribuir para tal objetivo.
|
 |
|