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Evolução
em MAPA
A
MAPA,surgiu há mais de 30 anos como alternativa para a
avaliação casual. Nesta entrevista temos a opinião de
dois especialistas
sobre a evolução deste método diagnóstico
Os primeiros equipamentos propostos para este fim eram
pesados, ruidosos, desconfortáveis e semi-automáticos.
Assim, exigiam a insuflação do manguito através da
participação do examinando, o que representava uma
importante limitação ao seu uso. Com estas
características o método, embora promissor, trazia uma
série de inconvenientes que o tempo e a evolução
tecnológica encarregaram-se de solucionar. Hoje,
equipamentos leves, silenciosos, confortáveis e
absolutamente confiáveis tornaram a MAPA um método de
ampla e segura aplicabilidade à prática clínica. Há
aproximadamente 2 décadas que, em nosso país, um grupo de
médicos vêm se dedicando a sua utilização, através de
serviços de grande respeitabilidade no Brasil.
Pioneiros na utilização da monitorização da
pressão arterial, os Drs. Fernando Nobre –
Coordenador da Unidade Clínica de Hipertensão do
Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de
Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo e Décio
Mion Junior, Chefe do Laboratório e da Unidade de
Hipertensão do Hospital das Clínicas da Faculdade de
Medicina da Universidade de São Paulo, acumularam nos
últimos anos contribuições científicas da mais
alta qualificação, tendo publicado um livro texto
usado como referência para tantos quantos se valem do
método em suas atividades clínicas, e um outro de
caráter fundamentalmente prático de discussão de
casos onde a MAPA tem aplicação e utilidade.
Um significativo número de publicações em revistas
científicas nacionais e internacionais constitui, ao lado
de grande número de investigações clínicas utilizando o
método, um currículo invejável denotando o alto grau de
envolvimento destes dois profissionais com a MAPA.
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São os doutores Fernando Nobre e Décio Mion Jr. os
entrevistados deste periódico nesta edição.
Cardios
– Qual é, Dr. Décio, a sua impressão sobre a
utilização da MAPA na prática clínica atual?
Dr.
Décio – Eu penso
que, definitivamente, a Monitorização Ambulatorial da
Pressão Arterial incorporou-se aos métodos de avaliação
do paciente hipertenso.
Nos últimos anos, um grande número de publicações foi
veiculado nos mais importantes periódicos científicos
nacionais e internacionais, normatizando o procedimento e
consubstanciando a sua aplicação ao estudo do
comportamento da pressão arterial em relação a vários
aspectos que até
então, somente através das medidas casuais, não se podia
compreender com a clareza necessária.
Cardios
– Dr. Fernando, o Sr. concorda com as afirmações do Dr.
Décio?
Dr.
Fernando –
Concordo, e ainda acrescento que algumas informações
somente foram possíveis de serem obtidas quando se pôde
registrar o comportamento da pressão em 24 horas. O
registro da pressão arterial durante o período de sono é
um excelente exemplo desta afirmativa.
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"Há
um grupo significativo de indivíduos que têm
hipertensão do avental branco e que só pode ser
identificados pela M.A.P.A." |
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Dr.
Fernando Nobre
Coordenador
da Unidade de Hipertensão Arterial do Hospital das
Clínicas/USP de Ribeirão Preto/SP |
Cardios
- Quais as mais importantes indicações para a MAPA?
Dr.
Décio – Dois
aspectos são fundamentalmente importantes quando se utiliza
a MAPA na clínica: avaliação do comportamento da pressão
arterial nas 24 horas, objetivando a confirmação ou
exclusão do diagnóstico de hipertensão arterial e a
avaliação da eficácia anti-hipertensiva de um determinado
esquema terapêutico instituido, nas 24 horas.
Dr.
Fernando
– O Dr. Décio muito bem resumiu as indicações
principais da MAPA. Quero, entretanto, ressaltar o auxílio
que o método presta à análise do comportamento da
pressão nas 24 horas, no que se refere à definição de um
grupo significativo de indivíduos que tem hipertensão do
avental branco e que só pode ser identificado pela MAPA.
Isto, por si só, já é justificativa ampla e segura para
sua aplicação na clínica diária. Basta lembrar que, não
menos que 20 % dos hipertensos leves a moderados
diagnosticados através das medidas casuais são na
realidade hipertensos do avental branco, o que significa que
têm comportamento anormal no consultório, mas registro de
pressão em 24 horas, absolutamente normal.
Cardios
– Cita-se como limitação à MAPA o desconforto e
incômodo que o exame pode causar. Até que ponto isto é
verdadeiro?
Dr.
Fernando – Eu
afirmo que isto é decorrência de observações do passado.
Hoje, com os equipamentos disponíveis, leves, silenciosos,
confortáveis na sua aplicação – como, por exemplo, o
DynaMAPA - este fato não se constitui mais em limitação
referida pelos pacientes submetidos ao exame. Recentemente,
nós da Unidade Clínica de Hipertensão do Hospital das
Clínicas de Ribeirão Preto e o grupo do Dr. Décio no HC
de São Paulo, realizamos estudo avaliando este aspecto em
grande número de pacientes submetidos à MAPA. Para todos
os itens testados, tais como grau de incômodo no trabalho,
no sono, nas atividades usuais, o grau de tolerabilidade e
aceitação foi superior a 80 %. Ainda mais, 85 % dos
pacientes testados concordariam em repetir o exame, se
necessário.
| "Com
os equipamentos atuais : mais leves, silenciosos e
confortáveis na sua aplicação, nã há limitação
aos pacientes submetidos ao exame da M.A.P.A." |
Cardios
– Dr. Décio, em todos os documentos de orientação
para prática da MAPA, inclusive no
livro editado pelo senhor e pelos
Drs. Fernando Nobre e Wille Oigman, há uma recomendação
expressa para o uso de equipamentos adequados à
realização do exame. O que
pode se entender por equipamentos adequados?
Dr.
Décio – Para
todo procedimento os dados obtidos devem ser confiáveis
para serem analisados. Este é um ponto fundamental, sem o
que a interpretação deles conduzirá a erros
imperdoáveis.
Com
relação à MAPA, sem dúvidas, isto também se aplica.
Assim, entende-se que o equipamento utilizado seja capaz
de produzir informações confiáveis. A qualificação
dos equipamentos de monitorização da pressão é dada
por dois órgãos que criaram normas técnicas para a sua
validação: a Associação Americana para Equipamentos
Médicos (AAMI) e a Sociedade Britânica de Hipertensão (BHS).
Aquela estabelece, após a submissão aos seus
protocolos,que um equipamento deve ser considerado
aprovado ou, caso contrário, reprovado, enquanto
que os
critérios da BHS identificam o equipamento com
gradações de A até D. Até pouco tempo, somente alguns
poucos equipamentos estrangeiros tinham estas avaliações
e poderiam, portanto, ser utilizados com segurança na
clínica. Recentemente, o equipamento DynaMAPA foi
submetido aos rigorosos critérios de avaliação das duas
instituições, tendo recebido grau de Aprovado pela AAMI
e gradações A para as medidas da pressão sistólica e B
para a pressão diastólica, segundo a Sociedade
Britânica de Hipertensão.
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Dr.
Décio Mion Jr.
Chefe
da Liga de Hipertensão do Hospital das Clínicas
da FMUSP - São Paulo/SP
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Isto representa um grande avanço porque passamos a ter
equipamentos validados, comercializados e produzidos no
Brasil com assistência técnica, custo e atenções aos
consumidores adequados.
Tanto em nosso serviço, no Hospital das Clínicas de São
Paulo, como no serviço do Dr. Fernando, em Ribeirão Preto,
temos usado com excelentes resultados estes equipamentos,
que somam ao nosso ver vantagens para sua utilização
segura e fácil na prática clínica diária.
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