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O Holter em Pediatria

Dr. Ivan Maia

Hospital Pró-Cardíaco - RJ

O valor do método no diagnóstico diferencial de pacientes pediátricos com crises sincopais.

Não raro, somos solicitados a avaliar pacientes em idade pediátrica tratados com anticonvulsivantes, por terem apresentado quadro sincopal.

A orientação inicial desses pacientes é quase sempre neurológica, sendo suspeitada de outra origem para o quadro somente após tentativas de ajuste terapêutico por recidivas.

A história familiar pode revelar a presença de morte súbita por "epilepsia" em consangüíneos, geralmente irmãos. Sabendo que os quadros sincopais em crianças podem ser produzidos por taquiarritmias ventriculares graves, havendo urgência nas intervenções terapêuticas, resolvemos avaliar em crianças e adolescentes as possíveis relações equívocas entre a síncope e a epilepsia, a partir da confirmação diagnóstica, pelo Holter, de uma taquiarritmia ventricular potencialmente maligna.

Episódio de alternância da onda T em um dos pacientes com a síndrome congênita do QT longo. O achado é potencialmente maligno. Exemplo no Holter de TV bidicrecional catecolaminérgica, observada em um paciente do grupo estudado.

Fizemos um levantamento dos dados de 610 gravações de Holter 24 horas em igual número de pacientes (período de 1988-2000). Selecionamos nessas gravações aquelas que revelaram ou confirmaram a presença de uma doença elétrica miocárdica ventricular potencialmente maligna.

Após essa etapa, passamos para os dados clínicos de cada paciente, analisando:

1. a história de pelo menos um episódio sincopal.

2.Características do quadro sincopal.

3. História do uso prévio de anticonvulsivantes.

4. História de morte familiar por "epilepsia".

Do total das gravações, selecionamos dezenove pacientes, doze do sexo feminino, idade média de 11,7± 5,3 anos. Doze pacientes eram portadores da síndrome congênita do QT longo, cinco pacientes apresentavam taquicardia ventricular catecolaminérgica e dois pacientes a variante do torsade de pointes com acoplamento curto.

Os resultados observados estão resumidos na Tabela 1.

Doença SCQTL TVBiCtm TPac. curto
História de Síncope 05 (42%)  05 (100%)  02 (100%)
Características da Síncope Indefinida  Estresse/Exercício  Indefinida
Uso prévio deAnticonvulsivante 02 (40%) 01 (20%) 0
Morte familiar por epilepsia 01 (20%) 02(40%) 0

Chave: SCQTL: síndrome congênita do QT longo; TVBiCtm: taquicardia ventricular bidirecional catecolaminérgica; TPac.curto: variante de torsade de pointes com acoplamento curto.

Como se pode observar pelos resultados, a incidência de quadros sincopais na população analisada foi elevadíssima. Três pacientes do grupo fizeram uso de anticonvulsivantes, indicando um diagnóstico prévio de epilepsia. Em três pacientes havia história de morte súbita por um diagnóstico incorreto de "epilepsia".

Certamente esses pacientes eram portadores das mesmas condições clínicas apresentadas pelo "probando".

Pacientes com história de síncope relacionada aos esforços devem se submeter a uma avaliação cardiológica – a possibilidade de tratar-se de TV bidirecional catecolaminérgica é elevada.

Assim, ressaltamos nesse estudo que existe uma população em idade pediátrica com um equívoco diagnóstico de epilepsia, sendo, infelizmente, impossível quantificá-la.

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