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Estudo da correlação entre duração e freqüência cardíaca da taquicardia ventricular até a sua degeneração para fibrilação ventricular e o ciclo cardíaco.

Dr. Ivan G. Maia
Dr. Fernando E. S. Cruz Filho

Hospital Pró-cardíaco - RJ

Avaliação pelo sistema de Holter

O Holter tem muito contribuído para esclarecimento dos diversos mecanismos envolvidos na precipitação da morte cardíaca súbita. Sabe-se, de muito, que as repercussões hemodinâmicas impostas pela taquicardia ventricular estão diretamente relacionadas com o seu ciclo de despolarização.

No entanto, não existem estudos correlacionando a duração da taquicardia ventricular até a sua degeneração para fibrilação ventricular e o ciclo de despolarização da mesma.

O objetivo do presente estudo foi de estabelecer esse tipo de correlação.

Em um grupo de 16 pacientes que apresentaram morte súbita durante gravações de Holter 24 horas, pode-se em seis definir com nitidez o momento da passagem da taquicardia ventricular para fibrilação ventricular.

Quatro pacientes eram do sexo masculino com idade média de 64± 15 anos. Todos eram portadores de cardiomiopatia dilatada com fração de ejeção média de 33.2± 4.1% ao ecocardiograma, não fazendo uso de drogas antiarrítmicas.

Determinou-se nos registros a duração do episódio de taquicardia ventricular até a sua degeneração para fibrilação ventricular e o seu ciclo de despolarização (ambos em ms) da mesma, obtido pela média de três ciclos determinados no início, meio e final do evento. Estabeleceu-se o grau de correlação linear entre as duas variáveis.

Correlacionou-se também a duração dos ciclos da taquicardia com os mesmos observados em um grupo controle de pacientes com taquicardia ventricular sustentada sem degeneração para fibrilação ventricular, semelhantes em patologia, fração de ejeção, sexo e idade.

Os resultados observados foram os seguintes: a duração média dos episódios de taquicardia ventricular foi de 54.8± 50.9 segundos (variação: 12 – 152 segundos). O ciclo médio da taquicardia ventricular foi de 285.0± 55.7 ms (variação: 240 – 380 ms). Observou-se uma elevada correlação linear entre as duas variáveis com um valor de r = 0.956 (p=0.003). O confronto entre o ciclo da taquicardia ventricular do grupo com morte súbita com o do controle foi significativo com uma média respectiva de 285.0± 55.7 ms versus 390.0± 51.7 ms ( p = 0.007).

Os resultados do presente estudo demonstram que a freqüência de despolarização da taquicardia ventricular representa um relevante fator na precipitação mais precoce ou tardia da fibrilação ventricular, em pacientes com morte cardíaca elétrica súbita por taquicardia ventricular.

Embora o ciclo de despolarização da taquicardia ventricular deva ser função do grau de repercussão elétrica e hemodinâmica imposto pela taquiarritmia, acreditamos que o fator freqüência isolado possa representar um fator agravante do quadro.

Assim, o achado têm implicações clínicas. Indicam que o prolongamento do ciclo da TV imposto pelas drogas antiarrítmicas poderá, de alguma forma, exercer um efeito protetor.

Gráfico de correlação linear entre duração da taquicardia ventricular até sua degeneração para fibrilação ventricular e duração média dos ciclos da própria taquicardia ventricular.

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