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Síncope |
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Dra. Fátima Dumas Cintra Escola Paulista de Medicina - SP |
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Síncope é definida como
perda súbita e transitória da consciência, associada à perda
do tônus postural com recuperação espontânea. Corresponde de
1 a 3 % das admissões hospitalares e 3 a 5% dos casos admitidos
em sala de emergência. Os dados epidemiológicos em síncope
derivam do estudo Framinghan,
com uma população analisada de 5209 indivíduos, sendo 2336
homens e 2873 mulheres, examinados a cada dois anos por um período
de 26 anos. De acordo com esse estudo 3% dos homens e 3,5% das
mulheres vivenciaram, pelo menos, um episódio de síncope
durante a vida, com idade média de aparecimento do primeiro
episódio por volta dos 50 anos para homens e 52 anos para
mulheres. Pode ocorrer em qualquer faixa etária, entretanto sua
incidência aumenta com a idade.
A taxa de recorrência é bastante elevada; uma vez constatado um episódio de síncope a probabilidade de recidiva é por volta de 30%. Por outro lado, a taxa de mortalidade é variável e está diretamente relacionada com a causa subjacente e a idade, sendo observada as maiores incidências em pacientes com síncope de etiologia cardiogênica, e mais de 60 anos. Indivíduos saudáveis, jovens, sem doença cardíaca estrutural e eletrocardiograma (ECG) normal, apresentam taxa de mortalidade em um ano baixa, uma vez que a grande maioria apresenta síncope neuro-mediada ou vasovagal. Em estudos com o uso do teste de inclinação para a confirmação diagnóstica da SNC, a taxa de mortalidade observada foi próxima a zero. |
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| I. Classificação e Etiologia | ||||||
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Inicialmente, é necessário diferenciar síncope
das condições que podem mimetizar o quadro, especialmente as
entidades clínicas que cursam com comprometimento da consciência,
p.e. hipóxia, hipoglicemia, epilepsia e as intoxicações. As
desordens de somatização também são freqüentemente
confundidas com síncope, sendo que nesses casos, a real perda
da consciência não ocorre. São inúmeras as classificações descritas
para caracterização de um episódio de síncope. Alguns
autores optam por classificá-la de acordo com o fator
desencadeante (p.e. síncope tussígena, síncope situacional,
evacuatória, etc); outros preferem utilizar a o mecanismo
fisiopatológico (p.e. síncope neuro-mediada, arrítmica,
neurológica, etc). Na verdade a maior limitação das
classificações atualmente disponíveis, é que o mecanismo
fisiopatológico envolvido na síncope não é único e a
associação de fatores é que acaba por culminar na perda da
consciência. A classificação aqui mencionada é a preconizada
pela Sociedade Européia de Cardiologia (Tabela 1). |
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Tabela 1. Classificação da Síncope, segundo a Sociedade Européia de Cardiologia. |
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| A causa mais comum de síncope, na prática clínica é a síncope neurocardiogênica ou vasovagal, fazendo parte das síncopes reflexas neuro-mediadas. Caracteristicamente, esses pacientes são saudáveis com ECG dentro da normalidade, ausência de arritmias documentadas no Holter de 24h e ausência de doença cardíaca estrutural. O teste de inclinação ou tilt table test é um recurso diagnóstico bastante utilizado para a comprovação do reflexo vasovagal (Figura.1). | ||||||
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Figura 1. Mesa utilizada para a realização do teste de inclinação. |
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| II. Avaliação Clínica | ||||||
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Diante de um paciente com síncope
o médico consultor deve: estratificar o risco e avaliar a possível
causa para o sintoma. São inúmeras as estratégias que podem
ser utilizadas para a elucidação de um episódio de síncope,
entretanto a história clínica e o exame físico são as “peças-chaves”
que irão nortear toda a investigação subseqüente, conforme
observado no algoritmo de investigação diagnóstico, proposto
pela Sociedade européia de Cardiologia. (Figura 2) |
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Figura
2. |
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É conveniente salientar, que a aferição da pressão arterial
nas posições em pé e deitado, assim como o ECG de 12 derivações
é obrigatório em pacientes com síncope. Os exames
complementares disponíveis para a avaliação da síncope
incluem: ecocardiograma, teste ergométrico, eletrocardiograma
de alta resolução, tilt test, Holter de 24 horas, estudo
eletrofisiológico, monitor de eventos, dentre outros. O
ecocardiograma é utilizado para detecção de doença cardíaca
estrutural em pacientes portadores de síncope. Sabe-se que sua
a capacidade de determinar o mecanismo da síncope é baixa, na ausência de anormalidades clínicas, físicas
ou eletrocardiográficas. Entretanto, o exame fornece informações
preciosas na estratificação de risco de tais pacientes. Estudos recentes demonstram que a maioria dos pacientes com síncope
submetidos ao Holter de 24 horas ficou livres do sintoma durante
a monitorização. Em uma metanálise, incluindo oito estudos a
correlação entre sintoma e arritmia ocorreu em 4% dos
pacientes (variando entre 6 a 20%). Provavelmente, o Holter
tenha maior valor diagnóstico nos pacientes com maior recorrência
de síncope. O eletrocardiograma de alta resolução é utilizado como uma ferramenta não invasiva para a avaliação de anormalidades cardíacas. Detecta potenciais tardios ventriculares que representam áreas de condução lenta, as quais podem ser consideradas substrato para arritmias ventriculares. Tem uma importância maior nos casos iniciais de cardiomiopatia (p.e. displasia arritmogênica do ventrículo direito), onde os testes convencionais como ECG e ecocardiograma não evidenciaram anormalidades.
O teste ergométrico deve ser realizados nos pacientes que
apresentaram síncope durante ou logo após a atividade física.
O teste de inclinação ou tilt table test tem sido usado na estratégia diagnóstica da síncope de origem indeterminada para identificar indivíduos suscetíveis à forma neuro-mediada. A ausência de um “padrão ouro” torna difícil a determinação de sensibilidade e especificidade do teste no diagnóstico da síncope vasovagal. No entanto, várias observações sugerem respostas clínicas e hemodinâmicas comparáveis entre os episódios de síncope espontâneos e aqueles induzidos pelo teste. A reprodutibilidade do sintoma e a resposta hemodinâmica, em pacientes com síncope de etiologia indeterminada varia na literatura entre 40% e 70%, conforme o protocolo utilizado e o uso de manobras provocativas, como a infusão de isoproterenol. Em resumo, são inúmeros os recursos disponíveis
para a investigação de um episódio de síncope e a sua
solicitação está embasada na hipótese diagnóstica inicial
formuladas a partir de uma história clínica detalhada e exame
físico. Além disso, em virtude de sua natureza
multidisciplinar a solicitação de avaliações de outras
especialidades como neurologia e psiquiatria, muitas vezes é
necessária. |
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| III. Tratamento | ||||||
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O tratamento é norteado pela causa
subjacente. No caso da síncope vasovagal, muitas vezes as
medidas não farmacológicas são suficientes como: hidratação
vigorosa, evitar locais quentes e abafados, uso de meia elástica,
treinamento postural passivo, dentre outras. Entre as
possibilidades farmacológicas destacam-se: beta-bloqueadores,
mineralocorticóides, inibidores da recaptação de serotonina e
alfa agonista. Finalmente, é conveniente salientar, que
todo episódio de síncope merece uma investigação criteriosa,
haja vista que alguns casos podem evoluir para morte cardíaca súbita. |
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