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Fibrilação Atrial
Possibilidades Atuais de Tratamento

Dr. Airton Klier Péres

Dir. Médico da Cardioclínica - Ritmocardio - Brasília/DF

A fibrilação atrial (FA) é uma arritmia comum e afeta principalmente a população mais idosa. O seu diagnóstico durante uma crise sustentada e sintomática é facilmente feito por meio do eletrocardiograma.

 

Nos episódios sintomáticos e não sustentados, o Holter pode ser um instrumento útil no diagnóstico, principalmente quando as crises são freqüentes. Entretanto, aquelas com comportamento ocasional, o gravador de eventos é de grande valia.

 

Classicamente, duas teorias tentam explicar a FA, e não são necessariamente excludentes: a hipótese das múltiplas ondas reentrantes e o conceito de mecanismo focal com condução fibrilatória.

 

A primeira estabelece que, havendo suficiente massa crítica atrial, múltiplas ondas reentrantes podem existir e se propagar perpetuamente. Por outro lado, a teoria focal advoga que a presença de atividade elétrica dentro das veias pulmonares pode induzir a FA e que a ablação desses focos poderia curar a maioria dos pacientes com a forma paroxística da arritmia. Mais recentemente, têm-se postulado mecanismos autonômicos na gênese ou na manutenção da FA.

 

O tratamento medicamentoso da FA sempre que possível, perseguia a possibilidade de manter o ritmo sinusal. No entanto, recentemente, quatro importantes estudos - PIAF, STAF, RACE E AFFIRM – mostraram evidências que em pacientes mais idosos, com FA persistente e sintomática, não há benefícios adicionais da estratégia de controle do ritmo sobre a de controle da freqüência, no que se refere à mortalidade, morbidade ou qualidade de vida. Porém, em ambas as estratégias, a efetividade é pequena, pois se no controle do ritmo é baixo o índice de manutenção do ritmo sinusal em longo prazo, no controle da freqüência à melhora da qualidade de vida para os pacientes muito sintomáticos não é adequada. Estes estudos, no entanto, deixaram muito clara a necessidade de anti-coagulação, em qualquer das duas estratégias de tratamento.

Para o controle da freqüência cardíaca as drogas mais usadas são as do grupo II (bloqueadores beta-adrenérgicos) e as do grupo IV (bloqueadores dos canais de cálcio). Para o controle do ritmo cardíaco, utilizam-se drogas do grupo III - amiodarona e o sotalol – e as do grupo IC – flecainida e propafenona.

Na figura 1, mostramos, de forma resumida nossa estratégia na abordagem terapêutica dos pacientes com fibrilação atrial. De grande importância é a terapêutica de prevenção dos acidentes tromboembólicos. No grupo de pacientes, com idade inferior a 60 anos, sem cardiopatia e que não apresentem riscos tromboembólicos, a administração de 325mg/dia de aspirina é, em geral, suficiente. Nos demais casos, é recomendado o uso de anticoagulantes orais.

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