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A
fibrilação atrial (FA) é uma arritmia comum e afeta
principalmente a população mais idosa. O seu
diagnóstico durante uma crise sustentada e sintomática
é facilmente feito por meio do eletrocardiograma.
Nos
episódios sintomáticos e não sustentados, o Holter pode
ser um instrumento útil no diagnóstico, principalmente
quando as crises são freqüentes. Entretanto, aquelas com
comportamento ocasional, o gravador de eventos é de
grande valia.
Classicamente,
duas teorias tentam explicar a FA, e não são
necessariamente excludentes: a hipótese das múltiplas
ondas reentrantes e o conceito de mecanismo focal com
condução fibrilatória.
A
primeira estabelece que, havendo suficiente massa crítica
atrial, múltiplas ondas reentrantes podem existir e se
propagar perpetuamente. Por outro lado, a teoria focal
advoga que a presença de atividade elétrica dentro das
veias pulmonares pode induzir a FA e que a ablação
desses focos poderia curar a maioria dos pacientes com a
forma paroxística da arritmia. Mais recentemente, têm-se
postulado mecanismos autonômicos na gênese ou na
manutenção da FA.
O
tratamento medicamentoso da FA sempre que possível,
perseguia a possibilidade de manter o ritmo sinusal. No
entanto, recentemente, quatro importantes estudos - PIAF,
STAF, RACE E AFFIRM – mostraram evidências que em
pacientes mais idosos, com FA persistente e sintomática,
não há benefícios adicionais da estratégia de controle
do ritmo sobre a de controle da freqüência, no que se
refere à mortalidade, morbidade ou qualidade de vida.
Porém, em ambas as estratégias, a efetividade é
pequena, pois se no controle do ritmo é baixo o índice
de manutenção do ritmo sinusal em longo prazo, no
controle da freqüência à melhora da qualidade de vida
para os pacientes muito sintomáticos não é adequada.
Estes estudos, no entanto, deixaram muito clara a
necessidade de anti-coagulação, em qualquer das duas
estratégias de tratamento. |
| Para
o controle da freqüência cardíaca as drogas mais usadas
são as do grupo II (bloqueadores beta-adrenérgicos) e as
do grupo IV (bloqueadores dos canais de cálcio). Para o
controle do ritmo cardíaco, utilizam-se drogas do grupo
III - amiodarona e o sotalol – e as do grupo IC –
flecainida e propafenona.
Na figura 1, mostramos,
de forma resumida nossa estratégia na abordagem
terapêutica dos pacientes com fibrilação atrial. De
grande importância é a terapêutica de prevenção dos
acidentes tromboembólicos. No grupo de pacientes, com
idade inferior a 60 anos, sem cardiopatia e que não
apresentem riscos tromboembólicos, a administração de
325mg/dia de aspirina é, em geral, suficiente. Nos demais
casos, é recomendado o uso de anticoagulantes orais. |
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