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IMPORTÂNCIA
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A fibrilação atrial (FA) é o distúrbio mais comum das taquiarritmias cardíacas, que afeta principalmente a população mais idosa, até 6% nos indivíduos acima de 65 anos e até 9% nos acima de 80 anos. Longe de ser benigna, a FA é uma arritmia complexa, geralmente, progressiva, que se manifesta de variados modos, podendo resolver por si própria, recorrer de forma paroxística, tornar-se persistente ou permanente, podendo estar associada a graus importantes de co-morbidades, como ao acidente vascular cerebral (AVC), à taquicardiomiopatia, à insuficiência cardíaca, e, mesmo, à mortalidade. A FA é responsável por aproximadamente 15% dos AVC nos Estados Unidos (EEUU) e este é a primeira causa de mortes no Brasil. A FA afeta aproximadamente 2.3 milhões de indivíduos nos EEUU e consome anualmente cerca de US$ 14 bilhões em despesas com a assistência de saúde (metade é atribuída aos gastos hospitalares). Com o crescente aumento da longevidade da população nos países industrializados, espera-se um crescimento 2,5 vezes maior de sua prevalência até o ano de 2050, o que representaria na América do Norte um contingente de 5.6 milhões de pessoas, com proporções semelhantes em países como o Brasil. Desta maneira, cresce o interesse e os estudos para melhor entender os mecanismos da FA presentes em cada grupo específico de pacientes e para ampliar as possibilidades de tratamento, com o objetivo de reduzir a morbidade e a mortalidade associada a esse distúrbio, proporcionando melhoria da qualidade de vida dos indivíduos afetada e, em conseqüência, levando à diminuição dos custos sociais. Até um passado bem recente, quando o tratamento estava limitado às drogas anti-arritmicas, as opções eram pequenas e cuidava-se de tentar manter o ritmo sinusal ou contentar-se com o controle da freqüência cardíaca, nos pacientes que desenvolviam uma forma contínua da arritmia, além de procurar-se evitar o tromboembolismo com as drogas anticoagulantes ou antiagregantes plaquetárias. Embora já existam opções emergentes para o tratamento não farmacológico da FA, ainda prevalece o uso de drogas, para prevenir o remodelamento atrial, o tromboembolismo e para melhorar a qualidade de vida dos pacientes, geralmente prejudicada por uma variedade de sintomas que podem resultar do rápido irregular ritmo ventricular, incluindo palpitações, dor precordial, dispnéia, fatiga e tonturas. Estes objetivos, no entanto, ainda apresentam-se desafiadores na prática médica. A anticoagulação, embora considerada essencial, tende a ser usada de forma irregular ou sem controle adequado. As drogas anti-arritmicas atuais apresentam, em longo prazo, baixa efetividade e, em geral, alta capacidade de produzir efeitos colaterais e, algumas, em determinados pacientes, podem provocar a morte, por efeitos pró arrítmicos. |
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| DIAGNÓSTICO | |||||
O
diagnóstico da FA durante uma crise sustentada e sintomática é feito
facilmente por meio do eletrocardiograma, pois a arritmia identifica-se
pela irregularidade do ritmo, podendo haver grandes variações da freqüência
cardíaca, ocasionada pelo maior ou menor bloqueio da condução pelo nódulo
átrio-ventricular. Por ocasião de episódios sintomáticos e não
sustentados, o diagnóstico pode ser mais difícil. A eletrocardiografia
dinâmica – Holter de 24 horas – pode ser um instrumento útil,
principalmente quando estes são freqüentes e o gravador de eventos é de
grande utilidade na detecção das crises pouco freqüentes. Na figura 1
pode se ver um exemplo do registro de um episódio de FA pouco freqüente
e sintomático, em paciente que, por muito, tempo freqüentou consultório
de cardiologistas, com queixas de palpitações, sem que os exames cardiológicos
de rotina houvessem registrado qualquer distúrbio cardíaco.
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| MECANISMOS | |||||
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Tem sido grande o afã cientifico nos últimos anos em busca do entendimento dos mecanismos deflagradores e mantenedores da FA. O conhecimento da epidemiologia da doença e de suas graves conseqüências para os indivíduos e para a sociedade, aliado ao desenvolvimento tecnológico na área médica, tem provocado grande interesse da classe científica, em busca de uma solução mais ampla para o tratamento desse grande problema de saúde pública, que ceifa inúmeras vidas e incapacita precocemente muitos indivíduos, que ainda poderiam estar tendo vida ativa, gerando em conseqüência grande custo social. Com as atuais possibilidades emergentes de tratamento não farmacológicos, torna-se premente um melhor conhecimento desses mecanismos, pois, diferentemente da ação das drogas baseadas na modificação, condução ou refratariedade elétrica, as modalidades intervencionistas procuram atuar eletrofisiologicamente na fonte desencadeadora ou mantenedora da arritmia. Classicamente,
duas teorias tentam explicar a FA, que não são necessariamente
excludentes: a hipótese das múltiplas
ondas reentrantes e o conceito de
mecanismo focal com condução fibrilatória. Mais recentemente, têm-se
postulado, também, a ação de mecanismos autonômicos na gênese ou na
manutenção da FA A primeira, postulada por Moe, em 1950 e ampliada experimentalmente por Alessi, em 1980 estabelece que, havendo suficiente massa crítica atrial, múltiplas ondas reentrantes podem existir e se propagar perpetuamente. Por outro lado, a teoria focal foi postulada pela primeira vez por Sir Thomas Lewis, ampliada experimentalmente por Jose Jalife, em 1990 e, alguns anos depois por Haissaguerre. Este observou a presença de atividade elétrica dentro das veias pulmonares, em pacientes muito sintomáticos, com paroxismos de FA resistentes às drogas antiarritmicas, e que a ablação desses focos curava a maioria deles. Além dessas teorias, mais recentemente têm-se postulado a ação de mecanismos autonômicos na gênese ou na manutenção da FA. O aumento do tônus parassimpático diminui o período refratário do átrio, tornando-o mais susceptível às reentradas das múltiplas ondas pré-fibrilatórias ou ao mecanismo focal de fibrilação. Esses mecanismos podem atuar isoladamente ou em associação na gênese e na manutenção da FA. Muito ainda se tem que aprender sobre esses fatores, porém é fato que a tanto a repetição das crises, nas formas paroxísticas, pode levar a arritmia para a forma persistente, quanto o prolongamento dos episódios desta pode induzir sua perpetuação, na forma permanente. Ou seja, a FA provoca FA (AF begets AF). A Figura 2 mostra a evolução que, em geral, ocorre nos pacientes com fibrilação atrial, evidenciando a importância dos mecanismos deflagradores nas formas iniciais e paroxísticas, e do tempo de evolução, atuando na formação de substrato atrial necessário à perpetuação da arritmia. Assim, novas abordagens de tratamento não farmacológico estão sendo estudadas e praticadas, na tentativa de abordar os mecanismos responsáveis pela FA, que podem estar presentes em cada caso.
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| CONTROLE DO RÍTMO VERSUS CONTROLE DA FREQUÊNCIA | |||||
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Nos últimos anos, muita discussão tem sido travada para avaliar se a FA, que ocorre de forma persistente, deve ser tratada com drogas como a digoxina, os bloqueadores dos canais de cálcio e/ou os bloqueadores dos canais beta-adrenérgicos, para tentar diminuir a freqüência da resposta ventricular – controle da freqüência - e aliviar os sintomas, ou se é melhor investir maior esforço na tentativa de restabelecer e manter o ritmo sinusal, usando outras classes de drogas e/ou cardioversão – controle do ritmo.
Recentemente, quatro importantes estudos - PIAF, STAF, RACE E AFFIRM – publicaram seus resultados e mostraram evidências que em pacientes mais idosos, com FA persistente e sintomática, não há benefícios adicionais da estratégia de controle do ritmo sobre a de controle da freqüência e, no que se refere à mortalidade, morbidade ou qualidade de vida. Em ambas as estratégias a efetividade é pequena, pois se no controle do ritmo é baixo o índice de manutenção do ritmo sinusal em longo prazo, no controle da freqüência a melhora da qualidade de vida para os pacientes muito sintomáticos não é adequada. Estes estudos, no entanto, deixaram muito clara a necessidade de anticoagulação, em qualquer das duas estratégias de tratamento, pois mesmo nos pacientes que, aparentemente, mantiveram o ritmo sinusal, observou-se alto índice de fenômenos tromboembólicos. Muitos pacientes deixaram o regime de anticoagulação, na presunção de que não apresentavam mais episódios de FA, porém, muitos, em realidade, têm crises não sustentadas e assintomáticas, persistindo assim o risco de distúrbios da coagulação e, portanto, de AVC.
Outra importante limitação da estratégia do controle do ritmo é a possibilidade de ocorrência de sérios efeitos adversos, associados com as drogas anti-arritmicas. As mais usadas são os bloqueadores dos canais de sódio, da classe IA e IC e os bloqueadores dos canais de potássio, da classe III. Estas drogas agem prolongando a condução e a repolarização – IA, a condução – IC, ou o potencial de ação – III. |
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| EFETIVIDADE E SEGURANÇA DAS DROGAS ANTIARRÍTMICAS | |||||
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Para
o controle da freqüência cardíaca as drogas mais usadas são as do grupo
II (bloqueadores beta-adrenérgicos) e as do grupo IV (bloqueadores dos
canais de cálcio). Estas têm um efeito apenas limitado na manutenção do
ritmo sinusal, porém com boa ação no bloqueio da condução nodal.
Os
estudos acima apontados e outros mostraram que, as drogas mais efetivas para
a manutenção do ritmo sinusal foram, as do grupo III - amiodarona e o
sotalol – e as do grupo IC – flecainida e propafenona, que tem ação
sobre a membrana celular. Em geral, essas drogas apresentam uma efetividade
de 40 a 60% no primeiro ano (70% para a amiodarona), porém, como mostrou o
estudo AFFIRM, após quatro anos de acompanhamento 58% dos pacientes haviam
interrompido o uso da amiodarona (400 mg/dia), sendo que destes, 40% por
baixa efetividade e os demais por toxidade. A flecainida não foi usada
nesses estudos recentes tendo em vista seu potencial de provocar pró
arritmias potencialmente fatais em pacientes com infarto prévio do miocárdio
(Torsade de Pointes), relatado no estudo CAST.
No
entanto, os efeitos colaterais e adversos que essas drogas apresentam fazem
seu uso em longo prazo muito limitado, ocasionando alto índice de supressão
das mesmas. Recentemente, a US Food and Drug Aministration - (FDA) –
conjuntamente com a Wyeth Pharmaceuticals enviaram cartas aos médicos e
farmacêuticos americanos, notificando-os da necessidade de entregar ao
paciente, juntamente com a receita de amiodarona, um guia medicamentoso
explicando que a droga pode acarretar distúrbios pulmonares, hepáticos,
tireoidianos e pró-arritmias potencialmente letais. O sotalol pode
acarretar bradicardias e baixo débito cardíaco, além de provocar risco de
efeitos pró-arrítmicos, este último também presente na propafenona.
Pode-se
resumir a recomendação do uso dessas drogas, sendo os da Classe IC
(propafenona e flecainida), como de primeira linha na manutenção do ritmo
para os pacientes sem cardiopatia estrutural, por serem bem tolerados.
Naqueles com doença coronariana, os da classe III, principalmente o
sotalol, e para aqueles com insuficiência cardíaca, a amiodarona, por ter
pouca ação inotrópica negativa na função ventricular esquerda.
Como
estratégia geral na determinação do tratamento farmacológico, pode-se
considerar como desnecessário o uso de drogas antiarrítmicas em paciente
com crises pouco freqüentes (1-2 episódios por ano, de duração menor que
6 horas), a não ser que o mesmo tenha doença cardíaca e que seja muito
sintomático. Como foi mostrado em recente
trabalho, para os pacientes com crises eventuais, são muito bons os
resultados da prática do pill in the pocket, com o uso da medicação
somente durante a crise. Nestes casos, não é necessário o uso de
anticoagulantes, a não ser que o paciente tenha outros fatores de risco
para fenômenos tromboembólicos. No entanto, o uso de aspirina deve ser
considerado. Àqueles
com FA paroxística recorrente e persistente o uso de drogas antiarrítmicas
é recomendada e a estratégia pode ser a da obtenção do controle da
freqüência ou do controle do ritmo. A primeira é mais
recomendada para os pacientes mais idosos, com sintomas de leve a moderada
intensidade e que apresentem um ou mais fatores de risco de acidente
vascular cerebral – AVC -, tais como hipertensão, diabetes mellitus e
história pregressa de AVC ou ataque isquêmico transitório – TIA. A
segunda estratégia está mais indicada para os pacientes com idade menor
que 60 anos, sem doença cardíaca estrutural e que pode se beneficiar de um
a conversão mais precoce ao ritmo sinusal. Além desses, pacientes com FA
persistente, muito sintomáticos, resistentes ou com importante reação
adversa às drogas antiarrítmicas, podem necessitar de um tratamento mais
agressivo, que até recentemente incluía a ablação do nódulo AV e o
implante de marcapasso definitivo. |
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| TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO | |||||
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Desde
os trabalhos do Dr. Cox, introduzindo a cirurgia do Labirinto (Maze) para o
tratamento de pacientes com doenças valvares, coexistindo com FA
persistente ou permanente, as possibilidades de tratamento curativo, não
farmacológico, passaram a ter suas fronteiras ampliadas, chegando,
atualmente, com o advento da ablação por cateter a obter índices de 80 a
90% de sucesso. Com a evolução tecnológica assim obtida, somada às
limitações da terapia medicamentosa, seja pela sua baixa efetividade,
pelos altos índices de efeitos adversos, incluindo a pró-arritmia, os
consensos sobre indicações de tratamento vem mudando rapidamente,
incorporando estes avanços e ampliando o leque de tratamento das diferentes
formas de apresentação da fibrilação atrial. |
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CIRURGIA CARDÍACA |
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Cox,
baseado na teoria das múltiplas ondas reentrantes, desenvolveu uma técnica
cirúrgica para criar linhas cirúrgicas dentro dos átrios direito e
esquerdas, com a finalidade de dividi-los em compartimentos menores cirando
barreiras elétricas para a progressão das ondas, impedindo a sustentação
da arritmia fibrilatória. Apesar do alto sucesso, esta técnica não é
muito usada, pois apresenta algumas limitações como: |
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ABLAÇÃO POR CATETER |
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Após
o sucesso obtido por Cox no tratamento cirúrgico da FA, com a técnica do
Labirinto (Maze Surgery), tentativas foram feitas para se tentar reproduzir
a mesma estratégia de criar compartimentos nos átrios, com o uso de
cateteres. Este procedimento foi abandonado devido ao tempo exagerado do
procedimento, com alta exposição às radiações fluoroscópicas, alto
risco de complicações, principalmente tromboembólicas, além de se criar
linhas descontínuas nos átrios, proporcionando o aparecimento de novas
arritmias reentrantes, de difícil controle. Na
década de 90, Haissäguerre, do grupo de Bordeaux – França – observou
a presença de atividade elétrica dentro das veias pulmonares, em pacientes
altamente sintomáticos, com paroxismos de FA resistentes a drogas
antiarritmicas, e que a ablação por cateter desses focos curava a maioria
deles. Assim, foi claramente estabelecida a possibilidade real de cura dessa
arritmia. Inicialmente, a técnica advogava proceder ao mapeamento das
extra-sístoles oriundas das veias pulmonares e procurar eliminá-las com
aplicações de radiofreqüência. Embora, este procedimento alcançasse uma
taxa razoável de sucesso, por outro lado apresentava problemas que o
limitavam. Muitas vezes era um procedimento prolongado, pois dependia da
presença das extra-sístoles das veias, que podiam passar muitas horas sem
aparecer. E, mais importante ainda, era o risco de se provocar estenose da
veia pulmonar, pois as aplicações eram realizadas dentro da veia. Esta
experiência inicial, porém, serviu como base para o desenvolvimento da
estratégia em uso atualmente, que não mais se preocupa em mapear o foco
das extra-sístoles, mas sim, isolar eletricamente todas as veias pulmonares
e, não mais dentro das mesmas, mas na região dos óstios, onde se encontra
tecido atrial. Esta metodologia praticamente fez desaparecer o risco de
estenose e aumentar a taxa de sucesso do procedimento ablativo, cujas
publicações mais recentes mostram estar em torno de 80%, para os pacientes
com fibrilação atrial paroxística. Para
o isolamento elétrico das veias existem, correntemente, duas maneiras de
realizá-lo: A
primeira, conforme demonstrado na Figura 3, consiste em realizar o
mapeamento dos potenciais elétricos do tecido atrial, que, freqüentemente,
invadem as veias pulmonares (e não mais as extra-sístoles venosas),
usando-se um cateter circular multipolar, colocado no óstio das mesmas.
Desta forma, ficam demarcados os pontos para aplicação da radiofreqüência
pelo cateter de ablação, que é liberada buscando-se a eliminação desses
potenciais, quando então se diz que houve o bloqueio elétrico da veia.
A
segunda técnica, conforme demonstrada na Figura 4, utiliza-se de um
sistema, que permite realizar o mapeamento de uma câmara cardíaca,
realizando sua reconstrução geométrica em três dimensões e, ainda,
acompanhar o cateter de ablação, durante a realização de linhas no átrio
esquerdo. Utilizando-se desse sofisticado recurso, em Milão, Pappone
desenvolveu uma metodologia, de criação de linhas envolvendo as veias
pulmonares, a região posterior do átrio e o istmo mitral (linha de
bloqueio elétrico ligando a região posterior da valva mitral à linha
abaixo da veia pulmonar inferior esquerda). Esta técnica, aparentemente de
orientação apenas anatômica, obtém uma alta taxa de sucesso, tanto nos
pacientes com fibrilação atrial paroxística, quanto nos da forma
persistente e, até mesmo nos permanentes. Este sucesso pode estar
relacionado à capacidade de agir sobre o mecanismo focal da arritmia, ao
isolar as veias pulmonares, sobre a massa crítica atrial perpetuadoras das
micro-ondas reentrantes, e, até mesmo, sobre parte das estruturas
ganglionares autonômicas, atuando, portanto, o substrato de manutenção da
FA. Ainda como ponto positivo dessa estratégia registra-se o fato de
somente se realizar aplicações de radiofreqüência no tecido atrial,
afastado das veias pulmonares, portanto, sem risco de provocar a estenose
das mesmas.
Atualmente,
em alguns serviços incluindo o nosso, realiza-se uma fusão de ambas as técnicas.
A primeira abordagem que fazemos, na maioria dos casos, é o da técnica
eletroanatômica e, ao final, também fazemos o mapeamento dos óstios das
veias, com o cateter circular multieletrodos, e, havendo ainda potenciais
venosos, procedemos à eliminação destes, de forma pontual/segmentar.
Acreditamos que, usando esta estratégia, poder-se-á diminuir o número de
recorrências. Porém, estudos prospectivos ainda precisam confirmar esta
hipótese. |
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NOVAS FONTES DE ENERGIA |
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Embora
a radiofreqüência tenha se estabelecido como uma fonte de energia de largo
espectro para a ablação por cateter, novas formas de energia que possam
provocar lesões mais profundas e mais homogenias são procuradas, tais como
o ultra-som e a criotermia. Ambas já estão sendo usadas em nível
clínico experimental, com animadoras perspectivas futuras. Nosso
serviço participa de um estudo multicêntrico internacional, com o uso do
ultra-som para realizar o isolamento das veias pulmonares. A técnica, como
se vê na Figura 5, consiste em colocar um cateter-balão, que contém em
seu interior um pequeno emissor, que libera a energia de forma circular em
um feixe de 360o no óstio da veia. A idéia é de se tentar
isolar simultaneamente toda a região do óstio da veia, de forma mais rápida,
com maior efetividade e sem produzir estenose da mesma.
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ABORDAGEM
TERAPÊUTICA |
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Devido
às diferentes formas de apresentação da fibrilação atrial, com
diferentes graus de complexidade e, ainda, à evolução tecnológica que
avança rapidamente, as estratégias de tratamento sugeridas nos diversos
consensos tem que estar em constante revisão. Estudos recentes mostram que,
em grande número de casos, não necessariamente se deve esperar muito tempo
para a indicação da ablação por cateter ou deixa-la como último
recurso, pois muitas vezes o
uso continuado de drogas anti-arrítmicos pode estar prejudicando o
paciente, devido a sua baixa qualidade de vida e aos possíveis efeitos tóxicos
da medicação.
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| COMENTÁRIOS FINAIS | |||||
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A fibrilação atrial, pela sua
complexidade de mecanismos, pelo seu caráter de grande morbidade e
mortalidade e de alto custo social, tornou-se nos últimos anos, uma grande
preocupação da área médica, principalmente, da cardiologia mundial. Graças
às centenas de centros espalhados pelo mundo que se ocupam dos estudos
sobre o tema, hoje os mecanismos da FA são melhor compreendidos e formas
alternativas de tratamento oferecem novas e reais perspectivas de controle
e/ou de cura dessa arritmia. Nesse panorama a ablação por cateter abriu
novos horizontes para a resolução do problema. No entanto, apesar dos avanços
das técnicas de ablação por cateter, estas ainda não alcançaram a
efetividade e a segurança das demais, usadas para o tratamento das
arritmias supraventriculares. Enquanto nestas, o índice de sucesso é
praticamente de 100% e quase é nula a taxa de complicações, a ablação
da FA consegue índices de sucesso entre 80 a 85% e apresenta, embora com
pequenas taxas, algumas complicações importantes, como o tamponamento cardíaco,
o tromboembolismo e, a mais grave de todas, a formação de fístula átrio-esofageana.
Por estes motivos estes procedimentos devem ser indicados com critérios bem
definidos e ser realizados por equipes altamente treinadas e experientes. |
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| FONTES CONSULTADAS | |||||
§
Fundação
IBGE. Informações estatísticas e geocientíficas [informação on line].
Disponível em <URL: http://www.ibge.gov.br>
[2002 ago 1]. §
Laurenti
R. Análise da informação em saúde: 1893-1993, cem anos de Classificação
Internacional de Doenças. Rev Saúde Pública 1991; 25: 407-17. §
Rosenberg HM, Chevarley F, Powell-Griner E, Kochanek K, Feinleib M.
Causes of death among the elderly: information from the death certificate.
Vital and Health Statistics 1991; Proceedings of 1988 International
Symposium on data on aging, NCHS, n. 6, p. 35-58. (Series 5). §
Lessa
I. Doenças não-transmissíveis. In: Rouquayrol MZ. Epidemiologia
e saúde. 4ª ed. São Paulo: MEDSI; 1994. p. 269-79. §
Ministério
da Saúde. Doenças cardiovasculares no Brasil - Sistema Único de Saúde
– SUS. Brasilia-DF: Coordenação de doenças cardiovasculares; 1993. 36 p. §
Haissaguerre M, Jais P, Shah DC, et al. Right and left atrial
radiofrequency catheter therapy of paroxysmal atrial fibrillation. J
]cardiovasc. Electrophisiol. 1996;7:1132-1144.
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