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Taquicardia Supraventricular

Dr. Dalmo A. R. Moreira
Responsável pelo Setor de Eletrocardiografia Dinâmica do Laboratório Delboni Auriemo (Diagnósticos da América)

A taquicardia supraventricular é o transtorno do ritmo que se origina acima da bifurcação do feixe de His. Pode-se originar no tecido atrial, na junção atrioventricular ou envolvendo vias acessórias. No primeiro caso destacam-se:

a) taquicardia sinusal;

b) taquicardia atrial paroxística;

c) flutter e fibrilação atriais. Envolvendo a junção atrioventricular, a reentrada nodal, e quando se consideram as vias acessórias, a síndrome de Wolff-Parkinson-White (via acessória com condução bidirecional) e a reentrada atrioventricular com via acessória com condução retrógrada exclusiva.

Diagnóstico
Nessa apresentação não serão considerados o flutter ou a fibrilação atrial por se tratarem de arritmias com mecanismos e abordagem terapêutica mais complexas.

Clinicamente a taquicardia supraventricular apresenta-se com palpitações no peito ou no pescoço (particularmente a reentrada nodal), de início e término súbitos desencadeadas aos esforços, emoções ou até mesmo durante o sono.

A taquicardia atrial se caracteriza por ritmo regular, com freqüência atrial que varia entre 110 e 180 bpm, com ondas P diferentes do ritmo sinusal, precedendo os complexos QRS.

A taquicardia por reentrada nodal apresenta ritmo regular, com freqüência cardíaca entre 120 e 180 bpm. As ondas P na maioria dos casos não são visíveis devido a ativação concomitante de átrios e ventrículos. Num percentual menor (35%) a onda P vem após o QRS (intervalo RP’ < 70 ms). Em 4% dos casos as ondas P precedem o QRS, simulando uma onda "q".

A taquicardia envolvendo via acessória apresenta freqüências cardíacas mais elevadas (de 140 e 200 bpm). Caracteriza-se por ritmo regular, com ondas P incidindo no segmento ST (intervalo RP’ > 90 ms).

Tratamento
A taquicardia atrial costuma ser rebelde ao tratamento e o fármaco de escolha é a amiodarona. Na fase aguda, por via venosa e, posteriormente, a prevenção de recorrências, por via oral. Freqüentemente é necessária a associação com outros agentes (beta-bloqueadores ou antagonistas de cálcio). A ablação do foco arritmogênico é bem sucedida em 80% dos pacientes.

Na fase aguda da taquicardia por reentrada atrioventricular ou nodal, a compressão do seio carotídeo restabelece o ritmo normal em 40% dos casos. A infusão de adenosina (12 a 18 mg em bolus) reverte a taquicardia em 85% dos pacientes. Outras opções são o diltiazem (0,25 mg/kg EV) ou amiodarona (150 a 300 mg EV).

Sempre que possível considerar o tratamento definitivo através da ablação com radiofreqüência. A cura é obtida em 90 a 95% dos pacientes com baixo risco de complicações.

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