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O tempo
não passa de uma ilusão. Lembro-me quando, em 2000, chegávamos a São
Paulo para participar de um curso de Holter organizado pela Cardios.
Como toda primeira experiência, as dúvidas, as incógnitas eram
maiores do que as certezas. Sala cheia, as responsabilidades dobraram. E
ainda tinham as tais notas dos alunos sobre as palestras, o jeito era
caprichar. No final, uma bela confraternização, professores aprovados,
tudo aconteceu como planejado.
No ano
seguinte repetiu-se a dose. Assim, veio o segundo, o terceiro, o quarto,
o tempo passou, virou tradição, chegamos a 2006.
Muita
coisa mudou nesses sete anos. Morreram conceitos, outros nasceram, as
técnicas e recursos do exame foram aprimorados, os cabelos encaneceram,
a vida me colocou próximo dos 70 anos, Miglino está com menos sotaque,
mais seguro do sucesso da empreitada, Dalmo Moreira, Eduardo Costa,
Fábio Sandoli de Brito, Helio Germiniani, Joào Pimenta, José Luiz
Cassiolato, Marcio Figueiredo, estão quase perfeitos no falar e expor
conhecimentos, Soninha e as outras meninas estão mais charmosas, tudo
efeito do inexorável tempo, aquele que subtrai com a mão esquerda e
adiciona com a direita. E, como toda a experiência prazerosa, vem o
desejo de um novo encontro. Esse foi bom, o próximo será melhor.
Parabéns a todos pelo êxito, acredito que poucos dos presentes não
gostaram.
Um
convite formal: esperamos você em 2007. Você vai aproveitar. Venha
conhecer uma turma estranha, uns caras meio aluados que passam as 24
horas do dia, os 365 dias do ano, deleitando-se com extra-sístoles,
taquicardias, BAVs, isquemia, que arregalam o olho frente a uma onda
delta. Uns caras que seguem à risca o belo poema de Baudelaire:
"É
preciso estar sempre ébrio. / Tudo está aí. / Esta é a única
questão para não sentir o terrível fardo do tempo que verga teus
ombros e te inclina para a terra. / É preciso te embriagares, sem
tréguas. / Mas de que? De vinho, de poesia ou de razão ao teu jeito.
Mas embriaga-te. / E se, por vezes, nos degraus de um palácio, na verde
selva de um regato, na solidão morna do teu quarto,/ te despertares com
a embriaguês já suavizada ou desaparecida, /pergunta ao vento, à
onda, à estrada, ao pássaro, ao relógio,/ a tudo que se foi, ao que
fala, pergunta que hora é; /e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o
relógio te responderão: / "Esta é a hora de te embriagares /para
não ser os escravos martirizados do tempo,/ embriaga-te; embriaga-te
sem cessar! /De vinho, de poesia ou de razão, a teu jeito".
Até
lá.
Dr. Ivan G. Maia
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