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A
morte súbita - MS é um dos desafios mais importantes da cardiologia
moderna, tanto pelo número de casos em que acontece, só nos Estados
Unidos superam os 300.000 por ano, quanto pelas repercussões sociais que
a acompanham.
Embora existam casos em crianças e adolescentes, na maioria das ocasiões
se apresenta depois dos 35-40 anos.
A Cardiopatia Isquêmica - CI, é a doença mais freqüente nas estatísticas
anglo-saxões, chegando a estar presente em 80-90% dos casos. No entanto,
no estudo Eulália realizado em Espanha, estudando os corações dos
pacientes que faleceram subitamente, se demonstrou que a incidência de
CI era muito menor, (em torno de 60%), enquanto era mais freqüente a
presença de hipertensão arterial que nos países anglo-saxões.
Dentre os pacientes que faleceram com MS e apresentavam CI, também o
estudo Eulália demonstrou que o número de casos de Infarto Apical de
Miocárdio era menor ao publicado nos estudos anglo-saxões, especialmente
pelo grupo R. Virmoni. Isto evidencia que a MS apresenta características
diferentes nos países anglo-saxões e nos do Mediterrâneo. Nesta região
parece ser menos importante o colesterol, MS por CI, e mais freqüente a
hipertensão e HVE, segundo estes estudos.
Por outro lado, a maioria de casos de MS se associa a falho ventricular
ou insuficiência cardíaca (IC) devida principalmente a CI ou a outras
causas.
A fim de buscar marcadores prognósticos de MS em pacientes com IC
realizamos na Espanha um estudo de seguimento de 1000 pacientes com IC
durante 3 anos denominado Estudo MUSIC,
(MUerte Súbita
na IC).
Os resultados preliminares deste estudo mostram o seguinte:
1. A MS é mais freqüente em
pacientes que apresentam Bloqueio de Ramo Esquerdo (BRE) ou Fibrilação
Atrial (FA). A associação de ambos aumenta mais ainda o risco de MS.
2. Os pacientes com antecedentes de
infarto de miocárdio (IM) tem pior prognóstico.
3. A presença de anemia e
insuficiência renal agrava também o prognóstico.
4. A presença isolada de dilatação
de átrio esquerdo à ecocardiografia, e principalmente quando está
associada a FA, é um elemento negativo importante. Naturalmente isto é
mais evidente quando a fração de ejeção é muito baixa.
5. Valores do pro-BNP altos também
tem um efeito adverso.
6. Pela primeira vez foi demonstrado
que um marcador plasmático do procolágeno, que é um marcador de fibrose,
está aumentado nos casos de MS.
7. Por último, existem numerosos
marcadores eletrofisiológicos detectados pelo Holter, (HRV, HRT, etc.),
que tem valor preditivo na MS.
Estamos portanto agora em melhores condições de poder saber que doentes
com IC apresentarão maior risco de MS. Isto é muito importante na hora
de tomar decisões terapêuticas, como por exemplo, a implantação de um
cardio desfibrilador implantável, CDI. |