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Angina Variante ou
de Prinzmetal |
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Dr. Juan Carlos Kaski
Professor de Ciência Cardiovascular
St. George’s Hospital Medical School - Londres/Inglaterra |
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A primeira descrição clara de angina variante foi
realizada por Prinzmetal e cols. em 1959. Eles descreveram pacientes que
apresentavam dor torácica ao repouso e supradesnivelamento do segmento
ST transitório no ECG. O mecanismo patogênico mais comum na angina
variante é o espasmo arterial coronariano, e pode ocorrer tanto em vasos
normais quanto em vasos doentes.
APRESENTAÇÃO CLÍNICA
Pacientes com angina variante apresentam angina típica ao repouso
associada com supradesnivelamento transitório do segmento ST no ECG,
principalmente à noite ou nas primeiras horas da manhã. Em 30% dos
pacientes pode se associar ao exercício. Embora os espasmos coronarianos
tenham tendência de resolução espontânea, quando prolongados podem
conduzir ao infarto do miocárdio, arritmias e morte súbita.
O espasmo coronariano freqüentemente afeta só um segmento de uma
artéria. No entanto, ele é um processo generalizado que resulta em
estreitamento difuso da artéria coronária. Em aproximadamente 9% dos
casos é descrito o espasmo multiarterial. Arteriogramas coronários
normais ou discretamente anormais têm sido registrados em
aproximadamente 40% dos pacientes com angina vasoespástica.
TRATAMENTO
Ataques Agudos
Espasmo coronariano pode pôr em risco a vida do paciente e os episódios
agudos devem ser tratados imediatamente. Nitrato sublingual geralmente
alivia a dor torácica e as mudanças do ECG em poucos minutos. A admissão
hospitalar é geralmente necessária para monitorização do ECG e
estabilização clínica por administração de nitroglicerina intravenosa.
Na sala de hemodinâmica, podem ser usadas preparações de nitratos
intracoronários para o alívio do espasmo.
Terapia a longo prazo
Bloqueadores de canais de cálcio (nifedipina, diltiazem e verapamil) são
considerados como os agentes de escolha para o tratamento da angina
vasoespástica. A associação com nitratos é eficaz. Geralmente são
exigidas doses elevadas durante os primeiros 3-4 meses de tratamento. As
mesmas podem ser ajustadas individualmente para minimizar os efeitos
secundários e evitar a hipotensão.
A retirada de agentes antianginosos pode ser considerada em pacientes
que não têm arritmias graves ou episódios de síncope durante as crises e
em assintomáticos após um prolongado período de aproximadamente 12-18
meses. Em todo o caso, uma avaliação cuidadosa da atividade da doença
(como monitorização por Holter ou testes de provocação), é necessária
antes da interrupção terapêutica.
O tratamento com a-bloqueadores pode ter algum benefício, especialmente
em doentes com resposta incompleta aos bloqueadores de canais de cálcio
e aos nitratos.
O uso de b-bloqueadores como único tratamento pode ser prejudicial em
pacientes com angina vasoespástica, especialmente naqueles que têm
artérias coronárias normais ou aterosclerose coronariana leve.
A Aspirina deve ser utilizada com precaução, uma vez que é um inibidor
da produção de prostaciclina.
A revascularização coronária, percutânea ou cirúrgica, deve ser
considerada nos casos associados à lesões coronarianas.
A braquiterapia tem um potencial muito bom nos casos de pacientes
altamente sintomáticos com angina variante refratária.
A implantação de um CDI deve ser contemplada nos casos de espasmo
multiarterial, não obstante a ausência de estenose arterial coronariana
obstrutiva grave e angina vasoespástica refratária acompanhada de
síncope e/ou arritmias ventriculares graves e BAV, já que estas
arritmias são freqüentemente achadas durante as crises vasoespásticas
agudas. |
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