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Terapia de Ressincronização Cardíaca (TRC)

Prof. Dr. Martino Martinelli Filho
Diretor do Centro de Cardiologia do HAOC
Professor Livre-Docente pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

 

TRC é um procedimento terapêutico invasivo que tem o objetivo de corrigir disfunções eletromecânicas por meio de estimulação cardíaca artificial (ECA), em pacientes com insuficiência cardíaca (IC) avançada e refratária a tratamento medicamentoso otimizado. O procedimento consiste no implante de um cabo-eletrodo na parede do VE, adicional à técnica convencional utilizada para marcapasso atrioventricular (AD+VD).

A introdução da TRC surgiu a partir da observação de que a presença de bloqueio de ramo esquerdo (BRE) poderia proporcionar dissincronismo intra e interventricular e consequentemente comprometimento funcional do miocárdio. Nesse sentido, o doppler tecidual (TDI) é considerado atualmente o método de imagem mais adequado para documentar, não somente a presença do dissincronismo ventricular, como também os locais de maior retardo contrátil.

A TRC é, portanto, a estimulação átrio-biventricular que representa uma alternativa terapêutica aos pacientes com IC avançada. Sua base fisiopatológica é o remodelamento reverso do VE e suas diretas implicações como redução da insuficiência mitral, melhora do controle autonômico cardiovascular e periférico assim como dos fatores neuro-humorais.

A documentação da morfologia híbrida do QRS assim como a redução de sua duração, ao ECG de 12 derivações, sugere a ocorrência simultânea de duas frentes de despolarização ventricular, mas nem sempre garante que esteja ocorrendo ressincronização.

Os primeiros ensaios clínicos a respeito da TRC, publicados na década de 90, consistiram em análise observacional, em pequena escala, com curto prazo de seguimento, de variáveis clínicas. Em seguida, surgiram ensaios randomizados que incluíram a análise de variáveis funcionais, mas ainda com curto prazo de seguimento. Os achados globais desses estudos demonstraram redução significativa da CF, melhora da qualidade de vida (QoL), incremento da distância no tempo de 6 min e do VO2 pico, sob TRC. Recentemente foram publicados os estudos de larga escala, COMPANION e CARE-HF, randomizados e com desfechos relevantes. O estudo COMPANION avaliou também o papel coadjuvante do CDI, na sobrevida proporcionada pela TRC.

No final de 2006, um estudo metanalítico avaliou os achados dos principais estudos relacionados à TRC: 8 grandes ensaios com 3380 pacientes em seguimento médio de 29,4 meses registraram 524 óbitos. Os principais achados foram: redução da mortalidade, da taxa de hospitalizações por IC, com valor de NNT estimado em 11.

A alta prevalência de TV/FV nos pacientes com IC avançada e os achados recentemente publicados sobre prevenção primária de MSC sugerem que candidatos à TRC também tenham indicação de CDI. Os achados do estudo COMPANION constituem a maior evidência dessa intervenção, registrando redução significativa da Mortalidade Total, por efeito do CDI.

Apesar disso, para a tomada de decisões em política de saúde em nosso, devemos aguardar novos estudos sobre prevenção primária de MSC na TRC, com população mais estratificada.

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Sociedade Internacional de Holter e Eletrocardiografia não Invasiva 

Programa Nacional de Atualização em MAPA e Hipertensão
Atualizado em 09/12/2008