No Brasil, a cultura do vinho teve início em 1532 com
Brás Cubas no litoral paulista e se espalhou pelo interior, mas
enfrentou vários obstáculos: a adaptação das vinhas ao solo, ao clima, à
umidade e as pragas.
Somente em 1742, com a chegada de imigrantes na
região sul do Brasil, a vitivinicultura foi disseminada. O pico de
crescimento da produção de vinhos deu-se com a chegada dos imigrantes
italianos em 1875 que trouxeram consigo cepas européias. Mas novamente,
o clima falou mais alto: as videiras não se adaptaram e foram dizimadas
por doenças fúngicas. Assim como acontecido na Europa, a salvação da
produção do vinho foi uma variedade de videira americana (Isabel) que
era resistente às doenças, e cultivada por imigrantes alemães no Vale do
Rio dos Sinos e do Caí (RS). Outra região que hoje em dia está se
firmando como grande produtora de vinhos é o Vale do São Francisco,
precisamente nos Estados de Pernambuco e da Bahia.
Com os avanços tecnológicos do século XX, houve um
salto qualitativo no vinho hoje produzido no Brasil e em países como
África do Sul, Austrália, Nova Zelândia, EUA, Chile e Argentina.
O vinho, através da publicidade e propaganda, foi
promovido em grande escala o que levou a um aumento na produção e,
consequentemente ao advento das supervinícolas, que chegam a produzir
milhões de garrafas por dia.
A
concorrência entre as vinícolas européias e as do Novo mundo (África do
Sul, Austrália, Nova Zelândia, EUA, Chile, Argentina e Brasil)
acirrou-se a partir de 1976, após uma degustação às cegas em Paris em
que um vinho americano ganhou o primeiro lugar (Cabernet Sauvignon 1973
- Stag’s Leap Wine Cellars, Napa/CA).
Nos anos 90, os produtores perceberam que a qualidade
do vinho não estava somente ligado ao processo de colheita e
fermentação, mas ao cuidado com a safra como um todo: à vinha, ao solo,
à água, às chuvas... à mudança climática devida ao aquecimento global.