Os primeiros relatos científicos brasileiros de Morte
Súbita (MS) durante atividade física aparecem nos Arquivos (ABC) em
1985, numa monografia de Cely S. Cruz do Instituto Dante Pazzanese de
Cardiologia.
O Comitê Olímpico Internacional fez um estudo de
1.101 mortes súbitas de atletas com menos de 35 anos durante atividades
esportivas entre 1966 e 2004. Isto representa a surpreendente média de
29 MS por ano. Em todos os casos foram constatadas cardiopatias
pré-existentes: congênitas, genéticas, inflamatórias ou degenerativas.
A única estatística latino-americana até hoje
existente de cardiopatias em atletas é do Instituto Dante Pazzanese de
Cardiologia, mostrando um retrato que pode explicar o porquê de eventos
fatais no esporte. Entre crianças e adolescentes os achados de
anormalidades leves e de risco variaram de 17,7% a 21%, e entre atletas
amadores e profissionais até 35 anos foram de 8,2%.
Os dados publicados pelo Comitê Olímpico Italiano
mostraram 3% de cardiopatias de alto risco com afastamento subsequente.
Somente a avaliação médica competente de
pré-participação pode detectar os possíveis problemas cardiovasculares
de risco para MS na prática físico/esportiva. Não são poucos os
afastamentos desnecessários ou até o inverso, por diagnóstico inexato,
devido a exames cardiológicos malfeitos por equipamentos obsoletos ou
por médicos-operadores poucos experientes com atletas. A falta de
diagnóstico definitivo de um atleta gira ao redor de 2 a 5%. Nos casos
de dúvidas diagnósticas ou nas recomendações de afastamento, as decisões
sempre devem ser colegiadas (respeitando a ética médica).
Outra polêmica é sobre prognósticos definitivos
emitidos para atletas cardiopatas, com possível risco de MS. A
Cardiologia do Esporte enfrenta situações difíceis e inusitadas, por não
ser ainda "medicina baseada em evidências", ainda usa a experiência
pessoal de alguns. Não foram poucos os casos de atletas afastados
definitivamente do esporte e que após meses de descondicionamento,
puderam retornar melhorados ou surpreendentemente curados. Aprendemos
que, sempre devemos manter o acompanhamento médico periódico dos
afastados. De repente boas surpresas acontecem!
A cardiologia do esporte se expande rapidamente em
nosso meio e a avaliação cardiológica detalhada e rotineira de
pré-participação dos atletas é a única maneira de minimizar o risco do
pior evento: a morte súbita.
A cardiopatia é a sua causa principal (90%), e seu
evento mais freqüente (85%) a fibrilação ventricular. Portanto, é
fundamental a presença de paramédicos com conhecimento do Suporte Básico
da Vida e do uso de desfibriladores semi-automáticos em TODOS os eventos
esportivos...