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Arritmias Cardíacas em crianças

Dr. Rogério Andalaft
Setor de Eletrofisiologia Clínica e Arritmias Cardíacas do Instituto Dante Pazzanese;
Médico-assistente do Hospital do Coração e da Cardio Dinâmica

 

As arritmias cardíacas são um problema relativamente frequente que acometem crianças com coração estruturalmente normal ou portadores de cardiopatias congênitas. O tipo de arritmia varia em forma e frequência com a faixa etária. As possibilidades terapêuticas também variam. É frequente, por exemplo, nos primeiros 6 meses de vida, nos depararmos com a presença de flutter atrial, fato que não ocorre em outra faixa da infância e adolescência (salvo em portadores de cardiopatia congênita). Quando nos deparamos com uma criança portadora de arritmia devemos analisar todos os dados clínicos e eletrocardiográficos para chegarmos a um diagnóstico e consequentemente a um tratamento adequado. A primeira dúvida frente a uma criança taquicárdica é: Qual a frequência cardíaca para aquela idade? Para isto utilizamos tabelas que nos auxiliam e são particularmente úteis quanto mais nova e próxima do período perinatal está a criança. Quanto à repercussão clínica, a avaliação pediátrica se concentra em sinais de perfusão periférica, na gemência, na agitação psicomotora ou na sonolência refletindo a perfusão cerebral. A segunda dúvida que surge é se a taquicardia tem ou não complexos QRS alargados.
Devemos lembrar que as crianças possuem complexos QRS mais estreitos. Assim, é possível (dependendo da faixa etária) que ao analisarmos o ECG, arritmias com complexos QRS de 100 a 110 ms, devam ser interpretadas como taquicardia de complexos QRS alargados.

Outra peculiaridade do jovem em relação ao adulto é a importância que as síndromes eletrogenéticas assumem. O risco de morte súbita no berço, por exemplo, vem motivando nos últimos anos um grande esforço não só da comunidade cientifica como dos meios de comunicação para o esclarecimento de suas causas. Neste grupo de doenças incluem-se as síndromes do QT longo e curto, a displasia arritmogênica do ventrículo direito, as taquicardias ventriculares catecolaminérgicas, a Síndrome de Brugada e as arritmias secundárias a não compactação do ventrículo esquerdo.


As cardiopatias congênitas representam uma parte importante das arritmias cardíacas na infância. São diversos os tipos de cardiopatia congênita assim como são diversos os tipos de arritmias possíveis entre elas*. Outra forma particular de arritmia, principalmente no período perinatal, é o bloqueio atrioventricular total congênito que pode estar associado à elevada mortalidade. Seu diagnóstico já no período fetal permite melhor programação terapêutica e aumenta as possibilidades de sobrevida. No BAVT congênito a investigação de Lúpus durante a gestação é de suma importância. A pesquisa de anticorpos maternos anti RO e anti La permite antecipar o diagnóstico de Lúpus na mãe em muitos casos. Para quem lida com estas crianças as nuances das apresentações devem ser conhecidas. As limitações diagnósticas e do arsenal terapêutico também. Esperamos que, em um futuro próximo, estas barreiras sejam transpostas.

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Sociedade Internacional de Holter e Eletrocardiografia não Invasiva 

Programa Nacional de Atualização em MAPA e Hipertensão
Atualizado em 25/08/2009