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MAPA

Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial

Dr. Fernando Nobre
Presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão
Doutor em Medicina pela USP

Fellow of American Society of Cardiology

Fellow of European Society of Cardiology

Coordenador da Unidade de Hipertensão, Divisão de Cardiologia, USP-Ribeirão Preto

 

Desde a década de 1960 quando, pela primeira vez foi registrada a pressão arterial durante 24 horas, a MAPA foi, cada vez mais e definitivamente, incorporada à prática clínica.

Atualmente é o método considerado "padrão ouro" para a avaliação da pressão arterial, quer para fins de diagnóstico ou para a análise do seu controle com o tratamento instituído.

A MAPA mudou o antigo conceito que dividia pacientes em "normotensos" e "hipertensos" acrescentando a essa classificação dois novos grupos de indivíduos com comportamentos de pressão particularizados: hipertensão do avental branco e normotensão do avental branco ou hipertensão mascarada (Figura 1 e Tabela 1).

 
Figura 1. Comportamentos da pressão arterial e definição de diagnóstico, utilizando-se Pressão Casual, MAPA e MRPA.

 

 Tabela 1 - Valores de pressão arterial no consultório, MAPA e MRPA que caracterizam efeito do avental branco, hipertensão do avental branco e hipertensão mascarada.

Sabe-se hoje que esses indivíduos têm características e prognósticos peculiares, sendo diagnosticados quando o método é aplicado adequadamente. Assim, quanto ao seu emprego para definição do diagnóstico, é inquestionável o seu papel e inestimável a sua colaboração a bem do melhor que se pode oferecer aos pacientes.

De outro lado, as medidas de pressão obtidas durante o período de sono vieram, com a MAPA, abrir novas possibilidades para estimar prognóstico de pessoas com hipertensão. Um grande número de estudos tem demonstrado que a pressão arterial, avaliada pela MAPA, durante o sono tem que ser entre 10 a 20% menor que a registrada durante a vigília. A não observação desse padrão concorrerá para maiores probabilidades de eventos cardiovasculares.

Outra grande aplicação da MAPA, já anteriormente apontada, é a avaliação da eficácia do tratamento anti-hipertensivo. Este é o melhor recurso para avaliar se a pressão arterial está controlada nas 24h, incluindo o período de sono somente acessado por este método.

Está muito claro que a pressão arterial mais diretamente relacionada com o prognóstico é, de longe, aquela obtida pela MAPA e não os valores casuais ou medidos no consultório, por exemplo.

A literatura atual é concordante em considerar as médias de pressão em 24h, vigília e sono, como referência de normalidade, ou não, da pressão medida pela MAPA. Em relação às "cargas pressóricas", a despeito de terem uma boa correlação com as médias de pressão, não há estudos correlacionando-as com morbilidade e mortalidade. O valor que mais se aproxima dos limites de normalidade hoje aceitos parece ser 30%.

Por essas breves observações está muito claro, que a MAPA é o método de avaliação da pressão arterial que oferece melhor possibilidade de diagnóstico apropriado, avaliação da eficácia do tratamento instituído e, por fim, estabelecendo o prognóstico dos hipertensos com maior sensibilidade que as medidas isoladas obtidas no consultório médico.

Não é, pois sem razão, que a sua aplicação é universal e crescente nos dias atuais.

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Sociedade Internacional de Holter e Eletrocardiografia não Invasiva 

Programa Nacional de Atualização em MAPA e Hipertensão
Atualizado em 31/03/10