Desde a década de 1960 quando, pela primeira vez foi
registrada a pressão arterial durante 24 horas, a MAPA foi, cada vez
mais e definitivamente, incorporada à prática clínica.
Atualmente é o método considerado "padrão ouro" para
a avaliação da pressão arterial, quer para fins de diagnóstico ou para a
análise do seu controle com o tratamento instituído.
A MAPA mudou o antigo conceito que dividia pacientes
em "normotensos" e "hipertensos" acrescentando a essa classificação dois
novos grupos de indivíduos com comportamentos de pressão
particularizados:
Sabe-se hoje que esses indivíduos têm características
e prognósticos peculiares, sendo diagnosticados quando o método é
aplicado adequadamente. Assim, quanto ao seu emprego para definição do
diagnóstico, é inquestionável o seu papel e inestimável a sua
colaboração a bem do melhor que se pode oferecer aos pacientes.
De outro lado, as medidas de pressão obtidas durante
o período de sono vieram, com a MAPA, abrir novas possibilidades para
estimar prognóstico de pessoas com hipertensão. Um grande número de
estudos tem demonstrado que a pressão arterial, avaliada pela MAPA,
durante o sono tem que ser entre 10 a 20% menor que a registrada durante
a vigília. A não observação desse padrão concorrerá para maiores
probabilidades de eventos cardiovasculares.
Outra grande aplicação da MAPA, já anteriormente
apontada, é a avaliação da eficácia do tratamento anti-hipertensivo.
Este é o melhor recurso para avaliar se a pressão arterial está
controlada nas 24h, incluindo o período de sono somente acessado por
este método.
Está muito claro que a pressão arterial mais
diretamente relacionada com o prognóstico é, de longe, aquela obtida
pela MAPA e não os valores casuais ou medidos no consultório, por
exemplo.
A literatura atual é concordante em considerar as
médias de pressão em 24h, vigília e sono, como referência de
normalidade, ou não, da pressão medida pela MAPA. Em relação às "cargas
pressóricas", a despeito de terem uma boa correlação com as médias de
pressão, não há estudos correlacionando-as com morbilidade e
mortalidade. O valor que mais se aproxima dos limites de normalidade
hoje aceitos parece ser 30%.
Por essas breves observações está muito claro, que a
MAPA é o método de avaliação da pressão arterial que oferece melhor
possibilidade de diagnóstico apropriado, avaliação da eficácia do
tratamento instituído e, por fim, estabelecendo o prognóstico dos
hipertensos com maior sensibilidade que as medidas isoladas obtidas no
consultório médico.
Não é, pois sem razão, que a sua aplicação é
universal e crescente nos dias atuais.