Os autores avaliam que, apesar da conhecida influência da radiação
ultravioleta A, UVA, para o desenvolvimento de câncer de pele, devem ser
analisados também os fatores benéficos sobre o sistema cardiovascular.
São citados trabalhos que mostram a relação da
morbimortalidade cardiovascular com as estações do ano, maior no Inverno
que no Verão, e com a maior distancia do Equador, devido à redução de
radiação solar e o uso de roupas que diminuem sua absorção.
Isto seria devido à influência benéfica da radiação
solar sobre a pressão arterial, PA, importante fator de risco
cardiovascular, já que trabalhos recentes demonstram o efeito redutor da
PA em indivíduos sadios submetidos a doses biologicamente relevantes de
UVA. Outros trabalhos, realizados nos anos 70 em grandes grupos
populacionais, mostraram que a PA é consistentemente menor no Verão que
no Inverno.
A hipótese é que, os importantes depósitos de
elementos relacionados ao metabolismo do Oxido Nítrico, NO, que se
encontram na pele, são mobilizados pela radiação solar e liberados na
circulação sistêmica, com efeitos anti-hipertensivos, cardioprotetivos e
vasodilatadores coronários.
Como conciliar os efeitos benéficos do Sol sobre o
sistema cardiovascular com a possibilidade de desenvolvimento de câncer
de pele? Os autores sugerem que a chave está na época da vida na qual
estamos submetidos à radiação solar. A incidência de melanoma está mais
relacionada com os efeitos a longo prazo da exposição a UVA na infância
e adolescência, enquanto o maior benefício sobre a PA é notado em
indivíduos mais velhos.
Os autores concluem que se sua hipótese for
confirmada, seria conveniente elaborar políticas públicas que advirtam
sobre os perigos da exposição solar na infância e estimulem a mesma nos
indivíduos adultos e mais idosos com moderação e os devidos cuidados.
Isto permitiria reduzir a incidência de câncer de pele permitindo
usufruir os benefícios cardiovasculares posteriormente.