A moderna psiquiatria e a cardiologia evoluíram de
modo significativo na interface de seus campos de atuação no que diz
respeito ao impacto cardiovascular negativo de estados emocionais,
embora muito ainda precise ser pesquisado. A área que mais evolui foi em
relação aos estudos do impacto da depressão.
Atualmente a meta-análise de vários estudos
prospectivos indica que a depressão aumenta o risco de
desenvolvimento de doença coronariana em pelo menos 50% de modo
independente de outros fatores de risco cardiovascular. Para aqueles com
doença cardiovascular estabelecida, a presença de depressão aumenta o
risco de mortalidade e recorrência de complicações cardíacas. Existe um
relação de dose-efeito, ou seja, quanto mais grave a depressão, mais
intenso o impacto negativo que ela acarreta ao sistema cardiovascular.
A depressão é um transtorno mental e como tal requer
tratamento. A depressão que costuma acometer os pacientes com doença das
coronárias tende a ser de intensidade moderada, permitindo uma boa
resposta tanto a antidepressivos como a intervenções psicoterápicas.
Para casos mais leves, melhora do suporte social, psicoeducação,
orientação médica e atividade física podem trazer melhora significativa.
De qualquer modo, a presença de depressão impõe um acompanhamento mais
próximo por parte do cardiologista e a necessidade de que se obtenha
remissão dos sintomas.
Depressão ocorre em cerca de 18% dos pacientes com
doença das coronárias. Portanto, além do acompanhamento mais
próximo, espera-se que parte desses pacientes possa ser tratada pelo
próprio cardiologista.
A remissão dos sintomas é essencial para que se tenha uma melhora da
qualidade de vida e menor risco de recaída e recorrência da depressão. O
que entretanto só se soube há pouco tempo é que obter a resposta
terapêutica é fundamental também para melhora do prognóstico
cardiovascular. Não basta prescrever um antidepressivo ou indicar uma
psicoterapia, o risco cardiovascular a longo prazo diminui para aqueles
que se recuperaram da depressão, mas fica elevado para aqueles que não
melhoraram da mesma. Portanto o cardiologista deve ativamente
monitorar a sintomatologia depressiva de seu paciente e utilizar todos
os recursos disponíveis para garantir a remissão definitiva da
depressão.