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A Depressão e o Sistema Cardiovascular

Renério Fraguas

Professor Livre Docente pelo Departamento de Psiquiatria da FMUSP

 

A moderna psiquiatria e a cardiologia evoluíram de modo significativo na interface de seus campos de atuação no que diz respeito ao impacto cardiovascular negativo de estados emocionais, embora muito ainda precise ser pesquisado. A área que mais evolui foi em relação aos estudos do impacto da depressão.

Atualmente a meta-análise de vários estudos prospectivos indica que a depressão aumenta o risco de desenvolvimento de doença coronariana em pelo menos 50% de modo independente de outros fatores de risco cardiovascular. Para aqueles com doença cardiovascular estabelecida, a presença de depressão aumenta o risco de mortalidade e recorrência de complicações cardíacas. Existe um relação de dose-efeito, ou seja, quanto mais grave a depressão, mais intenso o impacto negativo que ela acarreta ao sistema cardiovascular.

A depressão é um transtorno mental e como tal requer tratamento. A depressão que costuma acometer os pacientes com doença das coronárias tende a ser de intensidade moderada, permitindo uma boa resposta tanto a antidepressivos como a intervenções psicoterápicas. Para casos mais leves, melhora do suporte social, psicoeducação, orientação médica e atividade física podem trazer melhora significativa. De qualquer modo, a presença de depressão impõe um acompanhamento mais próximo por parte do cardiologista e a necessidade de que se obtenha remissão dos sintomas.

Depressão ocorre em cerca de 18% dos pacientes com doença das coronárias. Portanto, além do acompanhamento mais próximo, espera-se que parte desses pacientes possa ser tratada pelo próprio cardiologista.

A remissão dos sintomas é essencial para que se tenha uma melhora da qualidade de vida e menor risco de recaída e recorrência da depressão. O que entretanto só se soube há pouco tempo é que obter a resposta terapêutica é fundamental também para melhora do prognóstico cardiovascular. Não basta prescrever um antidepressivo ou indicar uma psicoterapia, o risco cardiovascular a longo prazo diminui para aqueles que se recuperaram da depressão, mas fica elevado para aqueles que não melhoraram da mesma. Portanto o cardiologista deve ativamente monitorar a sintomatologia depressiva de seu paciente e utilizar todos os recursos disponíveis para garantir a remissão definitiva da depressão.

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Sociedade Internacional de Holter e Eletrocardiografia não Invasiva 

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Atualizado em 12/11/10