Diversos métodos utilizados na prática cardiológica
foram derivados da eletrocardiografia, tais como o teste de esforço, o
sistema Holter, o ECG de alta resolução, o mapeamento de superfície
corporal, o estudo eletrofisiológico invasivo, etc. O ECG forma a base
de uma árvore, cujos conhecimentos iniciais abriram o caminho para o
diagnóstico de várias afecções cardíacas, identificando as alterações
que causam na geração ou na condução dos estímulos elétricos do coração.
Os demais métodos gráficos derivados do ECG constituem seus galhos, que
proporcionaram instrumentos diagnósticos valiosos para os cardiologistas
contemporâneos.
O fortalecimento dessa variedade de métodos gráficos
de diagnóstico tornou-se realidade após os trabalhos iniciais de médicos
e cientistas, que plantaram raízes fortes e profícuas acerca do
conhecimento da atividade elétrica do coração. Podemos citar, dentre
esses, Willem Einthoven, considerado o pai da eletrocardiografia, que
fez o primeiro registro em humanos e desenvolveu as derivações DI, DII,
DIII; Thomas Lewis, responsável pela popularização do método e pela
escrita do primeiro livro de eletrocardiografia clínicas; Frank Wilson,
responsável pelas derivações precordiais e Goldemberg, que desenvolveu
as derivações aumentadas AVR, AVL e AVF.
Na área da eletrocardiografia dinâmica Norman Holter,
físico e pesquisador americano, desenvolveu em 1960 o primeiro gravador
portátil e a primeira central, cujo sistema, em sua homenagem, foi
batizada de Holter.
No campo da eletrofisiologia podemos citar como de
importante contribuição para o desenvolvimento da área, os trabalhos de
sistematização do método pelos holandeses Durer e Wellens, que muito
ajudaram na compreensão dos mecanismos das arritmias cardíacas.
O ECG, por si só, esclarece muitos diagnósticos
compatíveis com a queixa do paciente, porém em outros momentos pode
apresentar alterações discretas ou nenhuma, necessitando ser
complementado por outros métodos gráficos. Principalmente, na área da
arritmia cardíaca, o Holter tem se mostrado um excelente instrumental
para dirimir dúvidas não identificadas pelo ECG. Por outro lado, muitos
achados de fenômenos arrítmicos não podem ser esclarecidos pelo método.
No entanto, pode o mesmo levantar suspeitas ou sugerir hipóteses
diagnósticas, que poderão ser negadas ou confirmadas por outro método: o
estudo eletrofisiológico (EEF). No exemplo da Figura I, o Holter pôde
detectar manifestações eletrocardiográficas de pacientes com sintomas de
palpitações frequentes, cujo ECG era normal, confirmando a existência de
taquiarritmias. Em um dos casos – Figura I-Quadro A - o Holter detectou
episódio de TPSV, cujo mecanismo de dupla via nodal foi confirmado pelo
EEF – Figura I-Quadro B. No caso seguinte, foi constatada ao Holter a
presença de via acessória intermitente – Figura 2-Quadro A, cujo
desaparecimento da via e normalização do ECG foi registrado durante a
ablação – Figura 2-Quadro B.
Muitos outros exemplos da associação diagnóstica
entre o ECG, o Holter e a Eletrocardiografia poderiam ser dados, como na
investigação das arritmias, do efeito terapêutico de drogas ou
procedimentos e de indicação e controle de marcapassos e
desfibriladores.
Pretendemos aqui mostrar a utilidade e integração desses métodos
gráficos, chamando a atenção para a importância da indicação do Holter e
da análise cuidadosa e criteriosa do mesmo, pois dela poderá depender o
diagnóstico ou a suspeita diagnóstica de casos complexos..