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Científico

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Discussão de Caso Clínico
Síndrome do QT Longo Hereditária

Caso submetido pelo 
Dr Jorge Bartolucci Johnston

A síndrome hereditária do QT longo (SQTL) é uma desordem familiar na qual os membros afetados apresentam retardo na repolarização ventricular manifesta no ECG como prolongamento no QT. Essa doença genética nos canais apresenta penetrância variável onde os indivíduos afetados apresentam um aumento na propensão de síncope, taquicardia ventricular polimórfica e morte súbita arrítmica. Atualmente, as mutações da SQTL tem sido identificadas em 3 genes de canais iônicos de potássio (KCNQ1 [LQT1], HERG [LQT2], KCNJ2 [Kir2.1, LQT7]), em 2 reguladores dos canais iônicos de potássio (KCNE1 [mink, LQT5], KCNE2 [MIRP1, LQT6]), e 1 gene do canal cardíaco de sódio (SCN5A [LQT3]), e mais recentemente, um gene possivelmente envolvido na sinalização intracelular de cálcio (ankyrin-B gene [LQT4]). Mutações nos sete genes do QTL correspondem a 60% das famílias sabidamente afetadas pela SQTL, e mutações adicionais nos genes do QTL possivelmente existem. Além disso, pode existir variantes polimórficas nos sete genes dos canais iônicos e em outros genes que modificam a expressão / penetrância da SQTL.

A forma mais comum da SQTL (Síndrome de Romano-Ward, SRW) é uma doença genética, heterogênica, autossômica dominante causada por mutações nos genes de canais iônicos envolvidos na membrana celular dos miócitos cardíacos. Essa doença dos canais é associada ao retardo na repolarização ventricular e sua manifestação clínica é síncope e morte súbita por arritmias ventriculares e torsade de pointes (TdP). A SQTL é identificada por um prolongamento anormal no intervalo QT no ECG. O prolongamento no QT pode aparecer por um decréscimo na corrente de repolarização na membrana cardíaca ou aumento na corrente de despolarização cardíaca. Mais comumente, o prolongamento do QT é produzido pelo atraso na repolarização em virtude da redução nas correntes de ativação rápida e lenta de potássio (K+) na repolarização cardíaca IKr ou IKs. Menos comumente, resulta do prolongamento na despolarização, em virtude da persistência de pequeno “vazamento” interno na corrente cardíaca de sódio (Na+) INa. Uma forma rara da SQTL (Síndrome de Jervell e Lange-Nielsen , SJLN) é autossômica recessiva, caracterizada por surdez congênita bilateral neural, prolongamento QT pronunciado, e alto risco de síncope recorrente e morte súbita.

Critérios clínicos foram desenvolvidos para determinar a probabilidade de ter QTL, e triar o genótipo dos indivíduos suspeitos e dos membros de famílias sabidamente com SQTL, o que progressivamente aumentou o número de indivíduos com SQTL geneticamente confirmado. A terapia profilática e preventiva rotineira na SQTL para reduzir a incidência de síncope e morte súbita envolve o uso de beta-bloqueadores, gangliotomia simpática cérvico-torácica esquerda, marcapasso, desfibrilador implantável, e farmacoterapia gene/mutação específica.

Durante os últimos anos, um grande número de drogas aprovadas e comercializadas, cardiovasculares ou não, foram associadas ao prolongamento do intervalo QT, TdP, e morte cardíaca súbita. As drogas que são conhecidas por afetar o intervalo QT incluem quinidina, terfenadina, eritromicina, cisaprida, e meleril. Quase todas as drogas não-cardiovasculares associadas ao aumento no intervalo QT afetam indevidamente o canal HERG. A associação entre a magnitude do prolongamento do QT droga-induzido e o rico de arritmia ventricular maligna é complexo. Pacientes que herdaram alguma forma de SQTL são particularmente vulneráveis a eventos associados ao prolongamento do QT droga-induzido.

O primeiro simpósio virtual (Internet) sobre SQTL irá focar as características clínicas de ambas as formas, congênita e adquirida da SQTL, com ênfase particular no diagnóstico acurado da condição e no uso de terapias apropriadas para a prevenção de síncope e morte súbita.


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