Equipamentos Avançados em Holter e MAPA
Científico

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Resposta hipertensiva à Ergometria: correlatos clínicos, ecocardiográficos e de Monitorização da Pressão Arterial

Dissertação de Mestrado
Autor: João Otavio Zanettini 
Orientador: Prof. Dr. Flávio Danni Fuchs

Fundamentos - Elevação acentuada de pressão arterial em indivíduos normotensos no teste ergométrico – resposta hipertensiva – é fator de risco para o desenvolvimento de hipertensão arterial e associa-se com características demográficas e antropométricas, ecocardiográficas e de pressão arterial aferida por monitorização ambulatorial de pressão arterial (MAPA). Não se estabeleceu com clareza, entretanto, a intensidade de associação com cada componente da pressão arterial, a melhor definição de resposta hipertensiva e quais são os parâmetros clínicos, de MAPA e de ecocardiograma que se associam consistentemente com resposta pressórica no teste ergométrico. 


Objetivos - Avaliar a associação entre resposta pressórica à ergometria, segundo os componentes sistólico e diastólico, e aferida de forma absoluta e corrigida para o trabalho desenvolvido, com parâmetros clínicos, ecocardiográficos e de MAPA. 


Métodos – Em estudo transversal, a partir de 5271 pacientes avaliados em clínica cardiológica privada no período entre agosto de 1995 e dezembro de 1999, selecionaram-se 347 pacientes que, em período de até 12 meses, foram avaliados clinicamente e realizaram teste ergométrico, MAPA e ecocardiograma. Setenta e cinco desses, com pressão de consultório normal e sem doença cardiovascular ou outras clinicamente relevantes constituíram a amostra investigada. História clínica, dados antropométricos e pressão arterial de consultório foram obtidos em consulta médica sistematizada. A ergometria foi realizada com o protocolo de Bruce em ergômetro, esteira Imbramed? KT – 10100. A MAPA foi realizada em equipamento Cárdio Sistemas?, programa DynaMapa, com aferições em intervalos de 15 minutos na vigília e 20 minutos no sono. Os estudos ecocardiográficos foram realizados utilizando equipamento ESAOTE Biomédica? SIM 7000 CFM com módulo color Doppler. Empregou-se a correlação linear de Pearson para avaliar a associação entre as variáveis antropométricas, demográficas, de MAPA e do ecocardiograma com a resposta pressórica, aferida de forma absoluta e corrigida para o trabalho desenvolvido no teste, considerando-se os componentes sistólico e diastólico em separado. Em modelo de regressão linear múltipla se identificaram os parâmetros associados de forma independente com a resposta pressórica corrigida para o trabalho desenvolvido. Compararam-se as características de indivíduos com e sem resposta hipertensiva, definida de forma absoluta e pelo tercil superior de resposta pressórica corrigida para o trabalho desenvolvido. 


Resultados – A resposta pressórica sistólica associou-se de forma mais consistente com as variáveis estudadas do que a resposta pressórica diastólica. A resposta pressórica sistólica corrigida para o trabalho desenvolvido associou-se mais consistentemente com os parâmetros investigados do que a calculada pelo delta entre as pressões basais e de pico, incluindo idade, índice de massa corporal, pressão arterial sistólica aferida pela MAPA, nos períodos de 24 horas, diurno e noturno, e espessura de parede posterior de ventrículo esquerdo (P < 0,001). Idade, índice de massa corporal e pressão sistólica noturna associaram-se independentemente com resposta pressórica sistólica corrigida para o trabalho desenvolvido em modelo de regressão linear múltipla. Os parâmetros associados com a resposta pressórica na correlação linear também se associaram com a mesma quando os indivíduos foram classificados em tercis de distribuição de resposta pressórica. Os indivíduos do tercil superior tinham idade, índice de massa corporal, pressão arterial pela MAPA, sistólica e diastólica em todos os períodos, espessura de septo e parede posterior de ventrículo esquerdo mais elevadas do que os classificados nos demais extratos, enquanto a fração de ejeção foi menor nos indivíduos com resposta pressórica no tercil superior. Os indivíduos que apresentaram resposta hipertensiva definida pelo valor absoluto de 210 mmHg da pressão sistólica máxima diferiam dos sem resposta hipertensiva por este critério principalmente pela pressão de consultório, pressões sistólicas na MAPA e espessura septal. Um terço dos indivíduos classificados como tendo apresentado resposta hipertensiva por um critério não o foram pelo outro. 


Conclusões - A resposta pressórica sistólica corrigida para o trabalho desenvolvido foi a forma mais eficiente de detectar diferenças antropométricas, de MAPA e de ecocardiograma entre indivíduos com elevações diversas de pressão arterial no teste ergométrico, comparativamente à utilização da pressão diastólica e valores absolutos de variação da sistólica. As diferenças identificadas nos indivíduos classificados no tercil superior de resposta pressórica sistólica corrigida para o trabalho provavelmente denotam alterações pré-hipertensivas e sugerem que estes indivíduos estão sob risco aumentado de se tornarem hipertensos. 

ABSTRACT

HYPERTENSIVE RESPOSE TO EXERCISING TEST: CLINIC, ECHOCARDIGRAPHYC AND BLOOD PRESSURE MONITORIZATION'S CORRELATIONS.

Background - Higher blood pressure response in normotensive individuals during exercise testing – hypertensive response – is a risk factor for hypertension and is associated with demographic and anthropometric characteristics, cardiac dimensions and function evaluated by echocardiography and blood pressure measured by ambulatory blood pressoure monitoring (ABPM). It was not established, however, the strength of such associations with each blood pressure component, the best definition of hypertensive response, and which clinical, echocardiographyc and ABPM parameters are more consistently associated with blood pressure response during exercise electrocardiography.

Objective - To investigate the association between blood pressure response during exercise testing, according to the systolic and diastolic component, and measured directly and corrected by the estimated metabolic equivalent, with clinical, echocardiographyc and ABPM parameters.

Methods - In a cross-sectional study, we selected 347 patients among 5271 evaluated in outpatient private clinic of cardiology who had clinical evaluation, exercise test, echocardiography and ABPM done in the interval of one year. In the total, 75 patients with office blood pressure within normal values, free of cardiovascular or other relevant diseases, were evaluated. Clinical data, anthropometric measurements and office blood pressure were taken in a standardized fashion. Treadmill test was done with the protocol of Bruce (Imbramedâ KT – 10100 system); ABPM was set to take blood pressure in intervals of 15 minutes in the daytime and intervals of 20 minutes in the nightime (Cárdio Sistemasâ, DynaMapa oscilometric software). Two-dimensional echocardiograms with color Doppler were done in ESAOTE Biomédicaâ SIM 7000 CFM system. Pearson correlation coefficients were employed to evaluate the association between anthropometric, demographic, echocardiographyc and ABPM variables with blood pressure response in the exercise testing, measured by the delta of blood pressure increasing during the test and corrected by the estimated metabolic equivalent, analyzing separately systolic and diastolic blood pressure. Characteristics independently associated with systolic blood pressure response corrected by the estimated metabolic equivalent were identified in multiple linear regression models. Individuals with hypertensive response defined by absolute values and by the top tertile of systolic blood pressure response corrected by the estimated metabolic equivalent were compared with those without hypertensive response.

Results - Systolic blood pressure response was associated more consistently with several parameters than the diastolic component, especially if corrected by the estimated metabolic equivalent. It was associated with age, body mass index, systolic ABPM measured in 24 hours and at daytime and nightime periods, and posterior wall thickness (P < 0,001). Age, body mass index and nocturnal systolic blood pressure were independently associated with systolic blood pressure response corrected by the estimated metabolic equivalent in a multiple linear regression model. The parameters associated with systolic blood pressure response were also associated when the individuals were divided by tertiles of systolic blood pressure response corrected by the estimated metabolic equivalent. The individuals in the top tertile were older and had higher body mass index, ABPM blood pressure and septal and posterior wall thickness than the individuals of the lowers tertiles. Left ventricular ejection fraction was lower in the top tertile. The individuals with hypertensive response according to the absolute value of 210 mmHg of maximal systolic blood pressure had higher office blood pressure, systolic ABPM pressure and septal thickness than the individuals with peak systolic blood pressure lower than 210 mmHg. One third of the individuals classified as having presented hypertensive response by one criterion did not present a hypertensive response by the other definition.

1.                  Conclusions - Systolic blood pressure response corrected by the estimated metabolic equivalent was more capable to identify anthropometric, ABPM and echocardiographyc differences between individuals with and without hypertensive response in the exercise testing, compared to the utilization of diastolic and absolute variation in blood pressure. The differences identified in individuals classified in the top tertile according to the systolic blood pressure response corrected by the estimated metabolic equivalent suggest that they have pre-hypertensive abnormalities and are more prone to present hypertension in the future.


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