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O recente Congresso Brasileiro de Arritmias Cardíacas
teve uma abertura diferente. O discurso do Presidente, Dr. Cláudio
Pinho, deu um tom poético-musical, associado à ritmologia cardíaca, que
nos conduz à reflexão. A palestra do Dr. Eduardo Sosa, sobre os 100 anos
da Doença de Chagas e a vida deste grande cientista foi estimulante e
ilustrativa.
Para encerrar, o maestro Percival Modolo, regendo um
grupo de primeiros músicos da orquestra sinfônica de Campinas, nos
explicou a importância da melodia, harmonia e ritmo na composição
musical, através de exemplos selecionados de musica clássica e popular,
ilustrados por estórias dos seus compositores e personagens da sua
época.
Uma verdadeira festa!
A seguir, alguns trechos do brilhante discurso do
Dr. Cláudio Pinho, que vale a pena recordar.
Dr. Ricardo J. Miglino
Diretor da Cardios
"Sejam Bem Vindos à Campinas para o XXVI Congresso da
Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas!
A Campinas do Príncipe dos Poetas Brasileiros:
Guilherme de Almeida que diz em seus versos:
“Não crês, porque não
vês. É a dúvida secreta
que em
vão te desafia:
- a
sombra pode ver o corpo que a projeta.
Mas
nunca a luz que a cria.”
os recebe com alegria.
Vir a um Congresso é reconhecer nossas dúvidas e
procurar um pouco de luz, de conhecimento. Apesar de todas as
diretrizes, das informações da medicina baseada em evidências,
precisamos nos encontrar para trocar informações, questioná-las,
adaptá-las e propor sua aplicabilidade em nosso meio. Preparamos isso
para vocês nos próximos dias.
Queremos que esse espaço não se restrinja apenas aos
distúrbios do ritmo, mas seja ampliado no contexto da cardiologia, da
atividade profissional e do paciente humanizado, não esquecendo de
incentivar um mundo mais ecológico, preservando seus recursos.
Acredito que vale a pena uma pequena reflexão: Quando
estávamos nos bancos escolares ouvimos repetidamente:
“A medicina é uma arte e deve ser exercida
como tal”. Na língua alemã designamos médico pela palavra “Arzt”
que guarda similaridade com a latina “artis”,
que em grego é “techné”
(técnica/tecnologia). O mesmo grego que possui a palavra “physis” que
vai originar o termo inglês “physician”
e que significa processo de surgimento que é sinônimo de criação, a “Póiesis”
(poesia) de Aristóteles.
Logo congressistas, cuidamos da poesia da vida, somos
os responsáveis por
entender sua métrica e zelar pelo seu ritmo.
A Campinas de Carlos Gomes propôs como tema deste
Congresso: “Controlando o ritmo com maestria”.
A música só acontece quando as notas musicais saem da partitura através
da “techné” dos músicos tocando seus
instrumentos orientados pela “artis” do
maestro que reúne todos os sons no tempo certo tornando o todo maior que
a soma das partes. O controle da doença cardiovascular só acontece
quando nós utilizamos a melhor “techné”
orientados pela nossa “artis” para que a
vida possa continuar construindo seus versos com ritmo.
Isto é a maestria, unir a pesquisa, difundir a
informação e fazer a atividade profissional gerar ações em respeito à
vida. Essa é a nossa proposta de trabalho com vocês congressistas.
Não existe vida sem ritmo, não existe ritmo sem arte.
Campinas deixa como mensagem que os membros da SOBRAC tenham por lema:
“Ritmo com Arte” ao exercerem sua
atividade profissional." |