5º Prêmio Cardios em 

Eletrocardiologia não-Invasiva

22º Congresso Brasileiro de Arritmias Cardíacas - 2005
Fortaleza - CE

"A resposta vasodepressora ao teste de inclinação está relacionada a pior prognóstico em pacientes portadores de síncope neuromediada"

Giulliano Gardenghi; Maria Urbana Brandão Rondon; Ana Maria Braga; 
Carlos Eduardo Negrão; Eduardo Sosa; Denise Hachui
Instituto do Coração (InCor) - HC/FMUSP;
Escola de Educação Física e Esporte da USP; 
Universidade São Judas Tadeu / SP
Introdução: 

SÍNCOPE NEUROCARDIOGÊNICA

Maiores volumes no leito venoso.
Vasoconstrição diminuída após estresse ortostático e durante exercício dinâmico.
Redução no volume central de sangue, com redistribuição alterada.
Morillo et al. Cardiology Clinics 1997;15(2):233-49
Objetivo:
Identificar, baseando-se nas respostas ao teste de inclinação, a recorrência de síncopes em pacientes submetidos a tratamento clínico, farmacológico ou não.
Casuística e Métodos
Critérios de inclusão

70 pacientes com diagnóstico de síncope neurocardiogênica (teste de inclinação positivo + história clínica);

ambos os sexos;

 com síncopes recorrentes (dois ou mais episódios, sendo o último em até seis meses antes do início do protocolo);

refratários a medidas gerais.

 

Critérios de exclusão

causas cardíacas e neurológicas;

pacientes com profissões de risco;

pacientes com pródromos curtos ou ausentes;

história de traumatismos físicos relacionados à síncope.

Randomizados em 04 grupos:
GRUPO (n) Desistência(s) Total (n)
Treinamento postural passivo 20 06 14
Treinamento físico moderado 20 09 11
Tratamento farmacológico 20 00 20
Controle 10 01 09

Seguimento clínico de 36 meses

Resposta Positiva ao Teste de Inclinação (TI)
Vasodepresssora: queda na PAS > 30mmHg, sem alteração expressiva na FC.
Cardioinibitória: pausa sinusal súbita > 3 seg, acompanhada de queda na PA.
Mista: queda da PA > 30mmHg com concomitante queda da FC.
SPOT: aumento na FC > 30 bpm em relação ao basal, ou taquicardia sinusal > 120 bpm, nos primeiros 10 minutos, com sintomas.
Análise Estatística
Teste de Log-rank e regressão linear de Cox, utilizando intervalo de confiança de 95%.
Valores de P<0.05 foram considerados significantes
Intervenções (tratamento)

Medidas Gerais e Dietéticas
Aumento do suporte hidro-salino
Evitar fatores desencadeantes
Reconhecer os sintomas prodrômicos

Tratamento Farmacológico

Terapia guiada pelo teste de inclinação

Betabloqueadores

Fludrocortisona

Inibidores da recaptação de serotonina

Treinamento Postural Passivo
3 sessões semanais, com duração de 30 minutos;
1a. semana em ambiente hospitalar;
Ambiente tranqüilo, sem riscos de trauma físico, supervisionados por um familiar;
Interrupção ao primeiro sintoma.

Indivíduo em pé;
Dorso encostado na parede;
Pés afastados 15 cm da mesma;
Posição fixa por 30 minutos.

 

Treinamento Físico Moderado
3 sessões semanais, com duração de 60 minutos, assim distribuídos:
5 minutos de alongamento;
40 minutos de exercícios aeróbios (LA - 10% abaixo do PCR) - FC;
10 minutos de exercícios localizados;
5 minutos de relaxamento.
Resultados

 CARACTERÍSTICAS BASAIS DOS PACIENTES

 
Grupo CO
 Grupo TFM
Grupo TPP
Grupo TF
p
Idade (anos)
27± 3
26 ± 3
21 ± 2
26 ± 2
0,46
Sexo (M/F)
4/5
6/5
4/11
8/12
0,53
Peso (kg)
65 ± 5
68 ± 4
57 ± 3
62 ± 3
0,24
Altura (m)
1.68 ± 0.6
1.69 ± 0.5
1.65 ± 0.4
1.68 ± 0.4
0,58
VO pico
30 ± 10
27 ± 8
25 ± 6
25 ± 6
0,25
PAM mmHg
97 ± 3
99 ± 4
102 ± 3
98 ± 2
0,69
FC (bpm)
68 ± 5
69 ± 5
70 ± 3
69 ± 2
0,98
 Resposta ao TI diagnóstico
Pacientes com resposta vasodepressora ao TI apresentaram 4,5 vezes maior chance de recorrência, independentemente do tratamento realizado.
Probabilidade livre de recorrência:
TI diagnóstico
CONCLUSÃO
Pacientes que apresentam resposta vasodepressora ao teste de inclinação têm maior probabilidade de recorrência de síncopes, independentemente do tratamento realizado.

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