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Discussão
de Caso Clínico
Síndrome do QT Longo Associado à Cardiopatia Congênita |
Caso
submetido pelo Dr Jorge Bartolucci Johnston |
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Mãe
com história prévia de epilepsia em tratamento desde a infância, com
deteriorização orgânica cerebral, e sem conhecimento da doença. História
familiar de surdez e o seu primeiro filho morreu subitamente. Seu ECG em
ritmo sinusal registrou um prolongamento do intervalo QT.
Ela
ficou grávida pela segunda vez, e teve parto normal. Com 8 horas de vida o
recém-nascido apresentou hipotensão e insuficiência cardíaca, morrendo
no terceiro dia de vida apesar das medidas usuais. O seu Holter mostrou um
prolongamento marcante do QTc e BAV de segundo grau com o prolongamento da
repolarização ventricular (Figura 1 - abaixo).
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Foram
registrados, também episódios de TV e Torsade de pointes (Figuras 2 e 3).
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figura 2
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figura 3
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O
seu ecocardiograma bidimensional detectou canal arterioso patente, CIA,
hipoplasia severa do arco aórtico e hipertensão pulmonar.
Questões
sobre o caso.
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A
associação entre o prolongamento do intervalo QTc e a alternância de
onda T é freqüente?
-
Qual o
significado prognóstico dessa associação?
-
A
associação entre doença cardíaca congênita e prolongamento do QTc
é freqüente?
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Qual é
o tratamento mais apropriado para crianças com as características
eletrocardiográficas descritas e grande instabilidade elétrica?
Questões
Adicionais.
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Existe
alguma relação bem definida entre arritmogênese pelas drogas antiarrítmicas
e a doença do canal iônico da Síndrome do QT Longo congênita?
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A freqüência
da Síndrome do QT Longo é baixa na população geral. Existe algum
tipo de seleção válida em recém nascidos e em qual sub-grupo deve-se
ter mais atenção?
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Quais
as drogas antiarrítmicas não devem ser usadas na Síndrome do QT Longo
congênita?
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Você
usaria magnésio?
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Respostas
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Questões
sobre o caso.
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A
associação entre o prolongamento do intervalo QTc e a alternância de
onda T é freqüente?
A
alternância de onda T (AOT) ocorre em pacientes com enormes
prolongamentos do QT, como nesse caso, e freqüentemente precede
taquicardia ventricular tipo torsade de pointes.
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Qual o
significado prognóstico dessa associação?
O
significado prognóstico da AOT é ameaçador.
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A
associação entre doença cardíaca congênita e prolongamento do QTc
é freqüente?
O
prolongamento no intervalo QT dessa magnitude é maior do que se poderia
ser explicado por uma doença cardíaca congênita. Já que existe
história familiar de surdez, é provável que o recém-nascido recebeu
uma dupla dose de mutação LQT1 e poderia também ser surdo, entretanto
não percebido -- a clássica forma da SQTL, Jervell e Lange-Nielsen.
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Qual é
o tratamento mais apropriado para crianças com as características
eletrocardiográficas descritas e grande instabilidade elétrica?
O tratamento é difícil e normalmente sem
sucesso nesses casos com marcantes prolongamentos no QT e bloqueios
cardíacos relacionados com a repolarização. Nós tentamos utilizar
uma combinação de tratamentos com beta-bloqueadores, mexiletina, e
denervação cirúrgica simpática esquerda. Crianças recém-nascidas
são mito pequenas para um desfibrilador implantável.
Questões
Adicionais.
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Existe
alguma relação bem definida entre arritmogênese pelas drogas antiarrítmicas
e a doença do canal iônico da Síndrome do QT Longo congênita?
As
drogas que afetam os canais iônicos como cisaprida, terfenadine, e
melaril podem causar prolongamento no QT e podem certamente encompridar
o intervalo QT em pacientes com SQTL.
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A freqüência
da Síndrome do QT Longo é baixa na população geral. Existe algum
tipo de seleção válida em recém nascidos e em qual sub-grupo deve-se
ter mais atenção?
A seleção com ECG em recém-nascidos é
enganosa com muitos falso-positivos e negativos com maior falta de
acurácia em quantificar o intervalo QT em recém-nascidos. A seleção
com ECG não é recomendada.
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Quais
as drogas antiarrítmicas não devem ser usadas na Síndrome do QT Longo
congênita?
Devem-se evitar todas as drogas antiarrítmicas
exceto beta-bloqueadores. Mexiletina pode ter algum efeito benéfico na
SQTL tipo 3 e já foi usada em alguns pacientes com outros genótipos
com arritmias intratáveis. Magnésio é em algumas vezes útil e vale a
pena tentar em pacientes com arritmias refratárias.
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Você
usaria magnésio?
Ver
resposta da questão 3.
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Prof.
Dr. Arthur Moss
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Casos Clínicos
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