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A
síndrome hereditária do QT longo (SQTL) é uma desordem familiar na qual
os membros afetados apresentam retardo na repolarização ventricular
manifesta no ECG como prolongamento no QT. Essa doença genética nos canais
apresenta penetrância variável onde os indivíduos afetados apresentam um
aumento na propensão de síncope, taquicardia ventricular polimórfica e
morte súbita arrítmica. Atualmente, as mutações da SQTL tem sido
identificadas em 3 genes de canais iônicos de potássio (KCNQ1 [LQT1], HERG
[LQT2], KCNJ2 [Kir2.1, LQT7]), em 2 reguladores dos canais iônicos de potássio
(KCNE1 [mink, LQT5], KCNE2 [MIRP1, LQT6]), e 1 gene do canal cardíaco de sódio
(SCN5A [LQT3]), e mais recentemente, um gene possivelmente envolvido na
sinalização intracelular de cálcio (ankyrin-B gene [LQT4]). Mutações
nos sete genes do QTL correspondem a 60% das famílias sabidamente afetadas
pela SQTL, e mutações adicionais nos genes do QTL possivelmente existem.
Além disso, pode existir variantes polimórficas nos sete genes dos canais
iônicos e em outros genes que modificam a expressão / penetrância da
SQTL. A
forma mais comum da SQTL (Síndrome de Romano-Ward, SRW) é uma doença genética,
heterogênica, autossômica dominante causada por mutações nos genes de
canais iônicos envolvidos na membrana celular dos miócitos cardíacos.
Essa doença dos canais é associada ao retardo na repolarização
ventricular e sua manifestação clínica é síncope e morte súbita por
arritmias ventriculares e torsade de pointes (TdP). A SQTL é identificada
por um prolongamento anormal no intervalo QT no ECG. O prolongamento no QT
pode aparecer por um decréscimo na corrente de repolarização na membrana
cardíaca ou aumento na corrente de despolarização cardíaca. Mais
comumente, o prolongamento do QT é produzido pelo atraso na repolarização
em virtude da redução nas correntes de ativação rápida e lenta de potássio
(K+) na repolarização cardíaca IKr ou IKs. Menos comumente, resulta do
prolongamento na despolarização, em virtude da persistência de pequeno
“vazamento” interno na corrente cardíaca de sódio (Na+) INa. Uma forma
rara da SQTL (Síndrome de Jervell e Lange-Nielsen , SJLN) é autossômica
recessiva, caracterizada por surdez congênita bilateral neural,
prolongamento QT pronunciado, e alto risco de síncope recorrente e morte súbita. Critérios
clínicos foram desenvolvidos para determinar a probabilidade de ter QTL, e
triar o genótipo dos indivíduos suspeitos e dos membros de famílias
sabidamente com SQTL, o que progressivamente aumentou o número de indivíduos
com SQTL geneticamente confirmado. A terapia profilática e preventiva
rotineira na SQTL para reduzir a incidência de síncope e morte súbita
envolve o uso de beta-bloqueadores, gangliotomia simpática cérvico-torácica
esquerda, marcapasso, desfibrilador implantável, e farmacoterapia gene/mutação
específica. Durante
os últimos anos, um grande número de drogas aprovadas e comercializadas,
cardiovasculares ou não, foram associadas ao prolongamento do intervalo QT,
TdP, e morte cardíaca súbita. As drogas que são conhecidas por afetar o
intervalo QT incluem quinidina, terfenadina, eritromicina, cisaprida, e
meleril. Quase todas as drogas não-cardiovasculares associadas ao aumento
no intervalo QT afetam indevidamente o canal HERG. A associação entre a
magnitude do prolongamento do QT droga-induzido e o rico de arritmia
ventricular maligna é complexo. Pacientes que herdaram alguma forma de SQTL
são particularmente vulneráveis a eventos associados ao prolongamento do
QT droga-induzido. O
primeiro simpósio virtual (Internet) sobre SQTL irá focar as características
clínicas de ambas as formas, congênita e adquirida da SQTL, com ênfase
particular no diagnóstico acurado da condição e no uso de terapias
apropriadas para a prevenção de síncope e morte súbita. |
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