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Emergência Hipertensiva na Hipertensão Arterial Maligna Dr. Giovânio Vieira da Silva Sob supervisão do Dr. Décio Mion e Dr. Fernando Nobre
EAO, 39 anos, feminina, negra, natural e procedente de Guarulhos/SP. História da Doença Atual: Paciente com antecedente de hipertensão arterial há 7 anos (tratamento
irregular com Captopril 100mg/dia), refere que há cerca de um ano
vem apresentando freqüentes “crises de pressão alta” (sic),
já tendo procurado vários serviços de emergência no período.
Procurou Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da FMUSP com queixa de
cefaléia de forte intensidade associado à turvação visual, escotomas
e vômitos.
No
exame físico de admissão paciente apresentava-se sonolenta, sem perda
de força em membros ou alterações em pares cranianos e com a pressão
arterial elevada (PA: 200/120mmHg). Fundo de Olho com presença de edema
de papila bi-lateral.
A
análise laboratorial mostrou os seguintes resultados: U:123mg/dl
– Cr: 5,0mg/dl – Na: 136 mEq/l – K 4,5 mEq/l - Hb: 8,5 g/dl –
Ht: 27% - Leucócitos: 8400 – Plaquetas: 53,000 - Reliculócitos: 6,1%
(VN: até 2,5%) – DHL: 897UI/ml (VN: 240-480UI/ml) - Esquizócitos:
Presentes Urina
Tipo I: pH: 5,0 – Densidade: 1010 – Proteínas: ++ - Hemácias:
25/campo
Nos
demais exames complementares a paciente apresentava padrão de
sobrecarga ventricular esquerda ao eletrocardiograma, tomografia
computadorizada de crânio com pequeno sangramento em tálamo esquerdo e
sinais de edema cerebral difuso e o ultra-som renal mostrava rins de
dimensões reduzidas (RD: 8,4cm e RE: 8,0cm) com ecogenicidade cortical
aumentada.
Com
o diagnóstico de Emergência Hipertensiva com Acidente Vascular
Cerebral Hemorrágico superajuntado a Encefalopatia Hipertensiva, a
paciente foi transferida para a Unidade de Terapia Intensiva, sendo
iniciado de imediato o tratamento com a
infusão endovenosa de Nitroprussiato de Sódio.
Após
24hs de permanência na UTI, a paciente encontrava-se assintomática com
a pressão arterial em torno de 160/100mmHg. Foi transferida para a
Enfermaria de Nefrologia usando Amlodipina 10mg/dia e Atenolol 25mg/dia.
Como parte de sua investigação, realizou-se uma MAPA que apresentou o seguinte resultado:
Discussão A
história natural da hipertensão arterial sistêmica não era bem
conhecida até a metade do século passado. Atualmente, com os
resultados advindos de grandes estudos observacionais (estudos de coorte
– Ex: Estudo de Framingham), está claramente estabelecido que a
hipertensão arterial não tratada resulta em uma série de complicações
clínicas adversas em diferentes órgãos1.
A
hipertensão arterial maligna, caracterizada pela elevação acentuada e
acelerada da pressão arterial acompanhada de disfunção de vários órgãos,
tais como retina, encéfalo, coração e rim, é o protótipo clínico
que mais exemplifica as complicações provenientes de uma pressão
arterial elevada2.
Como
no caso apresentado, em pacientes com a pressão arterial previamente
elevada (Ex: hipertensão essencial), a instalação da hipertensão
maligna acelera a evolução da doença. Embora nestas situações seja
sempre necessário afastarem-se fatores secundários de piora da
hipertensão, como a presença de uma doença reno-vascular ou a instalação
de uma glomerulonefrite rapidamente progressiva, o uso inapropriado de
medicações anti-hipertensivas ainda é o fator mais comumente responsável
pelo desencadeamento desta complicação3.
A
paciente em questão apresentava o quadro clínico completo de hipertensão
maligna. Além de cifras tencionais elevadas (PA: 200/120mmHg),
apresentava lesões nos principais órgãos-alvos: →
Retina: fundo de olho com edema de papila bi-lateral. →
Coração: sinais de sobrecarga de ventricular esquerda. →
Encéfalo: hemorragia parenquimatosa em tálamo e edema cerebral difuso. →
Rim: insuficiência renal e proteinúria. Devido
ao fato da paciente apresentar-se com encefalopatia hipertensiva,
acidente vascular encefálico hemorrágico e insuficiência renal avançada,
a mesma foi tratada como uma Emergência Hipertensiva, com monitorização
permanente dos sinais vitais em unidade de terapia intensiva e o início
do tratamento com droga endovenosa com acentuado efeito hipotensor
(nitroprussiato de sódio). O detalhe terapêutico nesta situação é a
recomendação de não reduzir de forma rápida e agressiva os níveis
tencionais do paciente, não excedendo um limite de
25% da pressão arterial média nas primeiras 24hs de tratamento5. Referências 1-
Kannel WB. Blood Pressure as a cardiovascular risk factor:
prevention and treatment. JAMA;
273:1571-1576, 1996. 2-
IV Diretrizes Brasileiras sobre Hipertensão Arterial. Sociedade
Brasileira de Hipertensão, Sociedade Brasileira de Cardiologia,
Sociedade Brasileira de Nefrologias. Campos do Jordão, 2002. 3-
Suassuna JHR, Faria R, Gomes CP. Doenças Vasculares dos Rins. In
Riella MC. Princípios de Nefrologia e Distúrbios Hidroeletrolíticos,
4ed.. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, pp. 519-536, 2003. Praxedes JN, Santello JL, Amodeo C, et al. Encontro multicêntrico sobre crises hipertensivas – relatório e recomendações. J Bras Nefrol; 23(Supl 3): 1-20, 2001. |
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