Hipertensão do Avental Branco

CASO 04 - Paciente:  AG, 39 anos, branca, feminino, decoradora.

Caso: A paciente refere há 3 meses períodos de cansaço durante o dia, indisposição para o trabalho e cefaléia com predomínio vespertino, holocraniana, de intensidade moderada. Procurou serviço médico quando foi constatada “pressão 19”. Nesta ocasião foi prescrito anti-hipertensivo em dose única diária, porém os sintomas permaneceram. Retornou ao médico que atendia pela manhã no ambulatório da empresa 6 semanas depois com a mesma sintomatologia. O médico constatou “pressão normal”, prescreveu analgésico e recomendou que procurasse neurologista para avaliar a cefaléia. 

A paciente procurou a Liga de Hipertensão no período vespertino e verificou-se que o exame físico apresentava-se normal. Pressão arterial média de 163 x 109 mm Hg (média de 3 leituras com esfigmomanômetro de coluna de mercúrio). Fundo de olho Grau II. Exames laboratoriais normais. Eletrocardiograma com sobrecarga ventricular esquerda.

 

  Valores Obtidos Valores Anormais
Pressão Arterial S D S D
Médias de PA na vigília (mm Hg) 161 95 >140 >90
Médias de PA no Sono (mm Hg) 168 95 >125 >80
Médias de PA nas 24 horas (mm Hg) 163 95 >135 >85
Diferença vigília-sono (%) -4 0 10 10
Cargas Pressóricas 24 horas (%) 88 73 >50 >50

 

Comentários: Este paciente apresentou pressão arterial muito aumentada no consultório – 218 x 97 mm Hg. Associado a esse fato, presença de fatores de risco e lesão em órgão-alvo representada por Hipertrofia Ventricular Esquerda.

A MAPA mostrou PA não controlada, embora com valores inferiores aos observados no consultório.

Com a administração de novo medicamento – Beta-Bloqueador – ainda havia valores de pressão de consultório aumentados porém a MAPA, após o ajuste terapêutico, mostrou-se normal. Esse é um caso onde se identifica presença de Efeito de Avental Branco, sendo a MAPA indispensável para um adequado seguimento e identificação de apropriado controle de pressão.