Hipertensão do Avental Branco

CASO 10 - Paciente:  MLMM, 66 anos, Feminina, Do lar, Mineira.  

Vista em consulta em 10 de abril de 1996, referia hipertensão arterial sob tratamento desde 1995. Fazendo uso regular de Atenolol 50 mg ao dia. Referia, entretanto, PA em torno de 90 x 60 mm Hg, em algumas medidas em farmácia de sua cidade. As medidas de PA, em consultas médicas, revelavam valores em torno de 180 x 100 mm Hg, sistematicamente (sic). O ajuste terapêutico sugerido por várias vezes nunca fora tolerado.

Ao exame clínico tratava-se de paciente em bom estado geral, corada, hidratada, afebril, eupneica, sem alterações significativas no exame físico, porém com PA (média de três medidas) = 175 x 104 mm Hg.

Frente a forte suspeita de Hipertensão do Avental Branco foi orientada a suspender a medicação e fazer MAPA de 24 horas 45 dias após. O exame mostrou os seguintes valores de PA, respectivamente de 24 horas, vigília e sono: 123 x 76; 126 x 79 e 110 x 66 mm Hg.

A paciente foi orientada a não utilizar medicamentos anti-hipertensivos, já que não apresentava qualquer lesão de órgão-alvo e não tinha fatores de risco ou doenças associadas.

Orientada para seguimento e avaliações anuais, somente retornou para nova consulta em 18 de fevereiro de 2003, novamente em uso de medicamento antihipertensivo (associação fixa de atenolol e diurético) prescrito por médico de sua cidade, após diagnóstico de hipertensão por medidas casuais de pressão arterial. Nessa oportunidade referia tonturas, mal estar e constante sonolência diurna.

O exame clínico e as avaliações subsidiárias continuavam normais.

Medidas de PA no consultório foram: 162 x 100; 170 x 98 e 164 x 100 mm Hg.

Orientada novamente para suspender medicamentos foi realizada MAPA em 02 de abril de 2003 (Figura) que revelou médias de 126 x 78; 127 x 79 e 123 x 73 mm Hg, respectivamente em 24 horas, vigília e sono.

Comentários

Hipertensão do Avental Branco (HAB) tem uma alta prevalência e pode representar um importante problema em relação ao diagnóstico da hipertensão arterial.

Há uma grande concordância em se admitir que os indivíduos com HAB têm risco intermediário entre os normotensos e aqueles com hipertensão estabelecida.

Igualmente, a avaliação anual desses indivíduos utilizando-se a MAPA está referida em diretrizes para o uso do método.

O adequado diagnóstico da HAB pode excluir até 20 % dos indivíduos examinados de um tratamento convencional para hipertensão. Entretanto, levando-se em consideração que esses pacientes podem evoluir mais freqüentemente para hipertensão estabelecida exige-se seguimento e cuidados apropriados, incluindo modificações de estilo de vida.