Equipamentos Avançados em Holter e MAPA
Científico

Avaliação da extensão e duração do "efeito MAPA" em pacientes hipertensos

Hermida RC, Calvo C, Ayala DE, Fernandez JR, Ruilope LM, Lopes JE.
J Am Coll Cardiol 2002 Aug 21;40(4): 710-717
Sabe-se que as medidas obtidas por intermédio da MAPA suprem, em muito, as limitações decorrentes das medidas de pressão arterial casuais ou de consultório. Particularmente porque há quase sempre algum grau de elevação da pressão arterial em decorrência da presença do médico, configurando o chamado Efeito do Avental Branco (EAB). Igualmente conhece-se a situação em que esse EAB assume tal magnitude que os pacientes podem ser considerados hipertensos quando avaliados no consultório sem a igual correspondência quando são obtidas medidas pela MAPA, nesse caso caracterizando a Hipertensão do Avental Branco. Outros benefícios, também muito úteis na prática clínica, podem ser atribuídos à MAPA e estão listados em diretrizes orientadoras para o seu uso. Assim, fica claro que há um “efeito pressor” determinado pelo médico quando mede a pressão arterial de seus pacientes.
Um questionamento pode ser feito com relação a similiar “efeito pressor” determinado pela própria MAPA. Por isso, os autores delinearam esse estudo.
Eles estudaram 538 pacientes hipertensos – leves a moderados – sendo 233 homens, com idade média de 54,2 (± 14,2) anos de idade. A programação da MAPA obedeceu o critério de medidas de pressão a cada 20 minutos durante a vigília e a cada 30 minutos durante o sono. O tempo de exposição à MAPA foi de 48 horas tendo sido a atividade física avaliada em intervalos de 1 minuto através da utilização de um activimetro aplicado no pulso dos pacientes. Aproximadamente 30 % desses pacientes foram avaliados duas ou mais vezes.
Como o período de exame foi de 48 horas pode-se comparar 2 sub-períodos de 24 horas cada um.
Nos hipertensos, sob tratamento ou não, avaliados pela primeira vez, os resultados indicam uma redução da pressão durante a segunda metade (24 horas finais) estatísticamente significante (p < 0,001) na média diurna das pressões sistólicas e diastólicas, mas não nas atividades físicas e/ou na freqüência cardíaca. Esse “efeito pressor” permanece estatísticamente significante pelas primeiras 6 a 8 horas independentemente do gênero, dias da semana em que a monitorização foi realizada ou número de medicamentos utilizados no tratamento anti-hipertensivo dos pacientes. As médias de pressões durante o sono foram, entretanto, similares em ambas as duas partes de 24 horas.
O “efeito MAPA” não se sustentou naqueles pacientes que foram submetidos a um novo exame, com as mesmas características, 3 meses após, sugerindo um efeito de acomodação.
Assim, os autores concluem que a MAPA de 48 horas demonstrou um “efeito pressor” que foi significante quando realizada pela primeira vez, não se sustentando em exames subsequentes.
 
Dr. Fernando Nobre

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