Equipamentos Avançados em Holter e MAPA
Científico

Pressão de pulso, pela MAPA, como preditor de eventos em pacientes idosos com hipertensão sistólica

Staessen J A, Lutgarde Thijs, O´Brein E et al.
Am J Hypertens 2002;15(10):835-843
A pressão de pulso (PP) tem sido cada vez mais valorizada, pelas evidências acumuladas de estudos epidemiológicos prospectivos, como determinante consistente de risco, particularmente nos indivíduos idosos.
Pela MAPA já havia sido sugerido que a PP poderia estar relacionada a maior risco, em estudo publicado por Verdechia e colaboradores (Hypertension 2000;35:844-851), particularmente quando apresentando valores superiores a 53 mm Hg. O aumento da PP, particularmente nos idosos, tem um mecanismo fisiopatogênico próprio e está relacionado, fundamentalmente, ao aumento da rigidez das grandes artérias, muito comum nessa população específica.
Nesse artigo, Staessen e seus colaboradores avaliaram 808 pacientes idosos com Hipertensão Sistólica Isolada (HSI) para investigar se a PP obtida pela MAPA e a pressão média poderiam refinar a estratificação de risco. Os pacientes (³ 60 anos) foram randomizados para utilizarem nitrendipina (10 a 40 mg/dia) com uma possível adição de enalapril (5 a 20 mg/dia) ou hidroclortiazida (12,5 ou 25 mg/dia) ou combinados com placebo.
No início, a PP foi determinada em duas diferentes condições: por intermédio de 6 medidas convencionais de pressão arterial sequenciais ou pela MAPA de 24 horas. Após os respectivos ajustes para outras variáveis foram obtidas as taxas de risco para aumentos de 10 mm de Hg na PP pela MAPA e nas médias de pressão. No grupo placebo, as PP de 24 horas e durante o sono foram preditores de mortalidade cardiovascular, todos os eventos cardiovasculares, AVE e eventos cardíacos. A PP durante a vigília foi preditor de mortalidade cardiovascular, todos os eventos primários e AVE. As taxas de risco para aumentos de 10 mm Hg na PP variaram de 1,25 a 1,68 pela MAPA. As PP obtidas pelas médias convencionais foram mais fracos preditores de risco, relacionando-se apenas com mortalidade cardiovascular, com uma taxa de risco de 1,35.
Pelos achados desse estudo os autores concluem que, em indivíduos idosos, com HSI, PP mais alta estimada pela MAPA foi melhor preditor de eventos adversos que a PP obtida pelas médias convencionais.A situação atual sugere fortemente um importante papel da PP obtida pela MAPA como preditor de risco, sendo aguardados estudos populacionais que indiquem valores de referência a partir dos quais pode-se identificar maior probabilidade de risco, sugerindo possibilidade de intervenção terapêutica.
 Dr. Fernando Nobre

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