Equipamentos Avançados em Holter e MAPA
Científico

Pressão arterial noturna e microalbuminuria em pacientes com diabetes Tipo I

 
Lurbe E, Redon J, Kesani A, et al. Increase in Nocturnal Blood Pressure and Progression to Microalbuminuria in Type 1 Diabetes.
N Engl J Med 2002; 347:797-805.
 
Apesar da prevalência da hipertensão arterial em pacientes com diabetes do tipo 1 sem microalbuminúria ser similar a observada na população geral, estudos transversais prévios sugerem que um aumento da pressão arterial noturna destes pacientes antecederia o desenvolvimento da microalbuminúria, podendo vir a ser um marcador clínico útil na identificação de pacientes com um maior risco de desenvolver nefropatia.
Para testar essa hipótese, foram acompanhados 75 pacientes com diabetes do tipo 1 há pelo menos 5 anos, normotensos (PA<130/80 mmHg) e com uma excreção urinária de albumina inicialmente normal (entre 30 e 300 mg nas 24hs) por um período de 5 anos. Durante o período de acompanhamento os pacientes foram monitorados quanto ao aparecimento de microalbuminúria, sendo posteriormente esses dados associados com as informações obtidas pela realização da MAPA em duas ocasiões distintas separadas por um período de 2 anos.
Dentre os pacientes estudados, 14 pacientes desenvolveram microalbuminúria. Os fatores que predisseram o aparecimento desta complicação foram o ruim controle glicêmico determinado pela hemoglobina glicosilada, dado esse que confirmou os resultados de estudos prévios, o aumento relativo da pressão arterial sistólica e diastólica noturna dos pacientes durante o período de observação e uma ausência de queda da pressão noturna verificada por uma taxa de pressão arterial noturna dividida pela pressão arterial diurna maior que 0.9 (seria o mesmo que dizer que o descenso noturno foi menor que 10%). Esse último resultado permitiu concluir que os pacientes com um descenso normal da pressão arterial durante o sono tem um risco setenta por cento menor de desenvolver microalbuminuria do que os pacientes com um descenso anormal.
A ausência do descenso da pressão arterial é bem associada a complicações cardiovasculares em pacientes com hipertensão essencial. Os resultados deste trabalho apresentaram novas evidências neste mesmo sentido em relação ao desenvolvimento de nefropataia em pacientes com diabetes tipo 1.
A realização da MAPA é pouco inconveniente e por ser um procedimento não-invasivo pode representar um novo instrumento na detecção de pacientes diabéticos mais propensos a desenvolver nefropatia. Talvez a detecção da elevação da pressão arterial noturna precocemente possa vir a ser um indicativo de iniciar-se medidas preventivas adicionais a um bom controle glicêmico, tais como o uso de inibidores da enzima de convesão da angiotensina ou antagonista da angiotensina II.
 
Dr. Giovânio Vieira da Silva
Sob supervisão do Dr. Décio Mion e Dr. Fernando Nobre

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