Equipamentos Avançados em Holter e MAPA
Científico

Análise do comportamento da PA em crianças e adolescentes que referiram fazer a "siesta" durante a MAPA

 
Krmar RT, Waisman G. Analysis of Blood Pressure in Children and Adolescents Reporting Siesta During Ambulatory Blood Pressure Monitoring.
Blood Pressure Monitoring 2003; 8:77-81.
 
A variação da pressão arterial durante as 24hs do dia depende de vários fatores, tais como a atividade física, o grau de ansiedade e principalmente, o estado de alerta de um dado indivíduo. As variações circadianas da pressão arterial são caracteristicamente representadas pelo seu descenso noturno (‘dipping”).
Em adultos, tanto em estudos com hipertensos como com normotensos, já foi demonstrado que a pressão arterial durante o sono da tarde (siesta), hábito muito difundido em algumas partes do mundo (inclusive no Brasil), segue um padrão similar ao observado durante o sono da noite, ou seja, também apresenta uma queda .
Com o objetivo de avaliar o efeito da siesta sobre o comportamento da pressão arterial em crianças e adolescentes (média de idade de 13,7anos +/-1,1), foram avaliados através da MAPA, 24 pacientes (12 normotensos e 12 hipertensos) que tinham o hábito de dormir a tarde por pelo menos 1 hora, buscando-se identificar modificações na média da pressão arterial diurna e do seu padrão de descenso noturno que poderiam ser influenciados pelo hábito da siesta.
Apesar da média da pressão arterial diurna quando calculada desconsiderando-se o período da siesta ter sido significativamente mais alta do que quando os valores da pressão arterial durante a siesta terem sido computados no cálculo, essas diferentes médias pressóricas calculadas não foram suficientemente grande, por exemplo, para mudar o diagnóstico de um paciente de normotenso para hipertenso.
No entanto, dos nove pacientes hipertensos que foram considerados como não tendo descenso noturno da pressão arterial (“nondipper”) quando este foi calculado levando-se em conta todo o período de monitorização (incluindo a siesta), 4 destes pacientes tiveram seu diagnóstico modificado, ou seja, passaram a ter descenso noturno quando novamente foi desconsiderado o período da siesta no cálculo da média da pressão diurna.
Esses dados demonstram, portanto, que tanto a média diurna da pressão arterial como a análise da sua variação circadiana, podem ser erroneamente interpretados em caso de não se levar em conta um eventual período de descanso vespertino.
Dr. Giovânio Vieira da Silva
Sob supervisão do Dr. Décio Mion e Dr. Fernando Nobre

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