Equipamentos Avançados em Holter e MAPA
Notícias

Impacto da avaliação pelo Holter das arritmias ventriculares em pacientes renais crônicos

A presença de ectopias ventriculares (EVs) freqüentes é um achado constantemente visto na população geral. Sua presença em pacientes com alguma cardiopatia diagnosticada, pós-Infarto agudo do miocárdio por exemplo, tem valor prognóstico em relação ao risco de morte cardíaca. Quando abordamos a população geral, esta associação ainda não está bem definida.

Em 2013 foi publicada no Am. J Cardiol, uma meta-análise com 11 estudos (106.195 pacientes) avaliando o real impacto das EVs na população geral. O achado de pelo menos 01 EV em traçado de ECG convencional, e/ou >30 ao registro de uma hora, foi definido como presença de EVs freqüentes. A maioria desses estudos tentou excluir os indivíduos de alto risco e com história de doença cardiovascular.

Resumidamente, quando comparados os grupos com e sem EVs freqüentes, observamos maior risco relativo global de morte súbita cardíaca e morte cardíaca total no grupo de maior incidência de EVs.

Infelizmente poucos estudos avaliam o papel de uma eventual alteração cardíaca estrutural associada ao simples achado da EV. Neste sentido, em conjunto com a equipe de Nefrologia e Diálise da Escola Paulista de Medicina, analisamos o impacto da presença de arritmias ventriculares em 109 pacientes renais crônicos não dialíticos por 24 meses. Foram observados nesse período a ocorrência de eventos cardiovasculares, hospitalizações e mortalidade.

O estudo prospectivo tem a Eletrocardiografia Dinâmica (Holter) como "screening" para a definição da presença de EVs. Foi demonstrado nessa população que a presença de EVs freqüentes, isoladamente, está associada à piora da sobrevida e a presença de EVs complexas constitui um fator de risco para eventos cardíacos e hospitalização (vide Gráfico 1). Em adendo aos achados, a presença de extrassístoles ventriculares freqüentes pode indicar alterações estruturais nesses pacientes, como escore de cálcio coronariano alto, baixa fração ventricular e hipertrofia ventricular. Em resumo, a presença de EVs pode ser um excelente marcador de evolução da doença, detectando precocemente os pacientes de risco.

O trabalho, pioneiro na área, foi apresentado na Kidney Week, neste mês de Novembro, na Philadelphia - EUA, sendo mais um subsídio importante na avaliação prognóstica da presença de EVs.

Apesar das limitações do estudo (referidas no trabalho), algumas observações merecem ser destacadas:

- A efetiva importância da avaliação da presença de arritmia ventricular no acompanhamento de nossos pacientes;

- O Holter, como método diagnóstico,  é uma "ferramenta poderosa" que nos auxilia a triar e identificar precocemente pacientes de risco.


Av. Paulista, 509 - 1º andar - CEP 01311-910 - Paraiso - São Paulo / SP - Tel: 3883-3030

Web |