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Fibrilação Atrial e Acidente Vascular Cerebral


A fibrilação atrial é uma arritmia muito comum na clínica, e temida pelo risco de complicações embólicas. Nos últimos anos, houve grande aumento no interesse sobre a arritmia, com a melhora no tratamento e na prevenção dessas complicações.

Estudos mostram que é possível estratificar o risco de fenômenos embólicos com base em parâmetros clínicos, atualmente com o escore de Chads-Vasc. É importante notar que, nesse escore, a manifestação clínica da forma de apresentação da fibrilação atrial (paroxística, persistente ou permanente), não aumenta ou diminui o risco. Seja qual for esta forma, um paciente com pontuação elevada tem risco aumentado e pode se beneficiar da prevenção.

Esse conceito foi corroborado com dados de estudos clínicos. No estudo Active1 foram avaliados pacientes com diferentes formas de apresentação da arritmia. Ao final do seguimento, os autores observaram que os pacientes com a forma paroxística tiveram o mesmo risco de complicações tromboembólicas em comparação com os outros pacientes (com FA permanente ou persistente). Assim, mesmo curtos episódios de arritmia trazem um risco maior de embolia.

Mais recentemente, outras fontes de dados trouxe mais argumentos que corroboram essa afirmação. O estudo Assert2 avaliou pacientes portadores de marcapasso artificial com capacidade de diagnóstico de episódios curtos de arritmia. Dos 2580 pacientes, que não tinham fibrilação atrial documentada, 261 apresentaram, no seguimento de 2,5 anos, episódios de taquiarritmias atriais (frequência acima de 190 batimentos por minuto durante mais de 6 minutos). Esses pacientes não só apresentaram mais episódios clinicamente documentados de fibrilação atrial, como também risco de eventos embólicos.

Outro estudo que chamou a atenção para a importância da detecção de episódios de arritmias atriais foi o Crystal-AF3. Nele, pacientes com acidente vascular cerebral criptogênico (de origem desconhecida ou obscura), foram avaliados com um monitor implantável ajustado para detectar episódios de fibrilação atrial de mais de 30 segundos. A monitorização prolongada detectou arritmias em 8,9% dos pacientes, contra 1,4% dos que foram monitorizados por 24 horas nos primeiros 6 meses, e 12,4% versus 2,0% ao fim de um ano.

Com base nesses achados, é cada vez mais comum o uso de períodos de monitorização mais prolongados. Dispositivos como o CardioSeven possuem condições de prolongar a monitorização dos pacientes por até 7 dias. Tal característica vem ampliando o uso dessa ferramenta, de forma simples e prática.

Mesmo com todas essas evidências, surgem novas questões: quanto tempo em fibrilação atrial é suficiente para resultar em aumento de risco de eventos embólicos? Qual o tempo de monitorização é mais adequado para a detecção de arritmias não suspeitadas na clínica? O tratamento anticoagulante é eficaz e seguro para a prevenção de eventos? 

A ciência médica é assim... Quanto mais dados, mais dúvidas aparecem, fornecendo hipóteses para novos estudos, e assim cresce o conhecimento, com melhoras para os cuidados dos nossos pacientes. 

1. Hohnloser SH, Pajitnev D, Pogue J, Healey JS, Pfeffer MA, Yusuf S, et al. Incidence of Stroke in Paroxysmal Versus Sustained Atrial Fibrillation in Patients Taking Oral Anticoagulation or Combined Antiplatelet Therapy. J Am Coll Cardiol [Internet]. 2007 Nov;50(22):2156–61. 
2. Healey JS, Connolly SJ, Gold MR, Israel CW, Van Gelder IC, Capucci A, et al. Subclinical Atrial Fibrillation and the Risk of Stroke. N Engl J Med [Internet]. 2012 Jan 12;366(2):120–9.
3. Sanna T, Diener H-C, Passman RS, Di Lazzaro V, Bernstein RA, Morillo CA, et al. Cryptogenic Stroke and Underlying Atrial Fibrillation. N Engl J Med [Internet]. 2014 Jun 26;370(26):2478–86.

Ano19 #62  NOV-DEZ2016

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